Semana de Psicologia discutiu suicídio, feminicídio e luto com ênfase na promoção da saúde emocional

Profissão e Mercado

Escrito por

Murilo Pereira

Publicado em

11 set 2018

Crédito imagens

Herbert Ferreira e Isaac Maciel

Programação incluiu palestras e discussões. Após o conteúdo apresentado pelos convidados, professores do curso respondiam duvidas dos alunos a respeito do mercado de trabalho.

Às vésperas do início da campanha de prevenção ao suicídio conhecida nacionalmente como Setembro Amarelo, aconteceu no UNASP campus São Paulo a 14ª edição da Semana de Psicologia que teve por título: A Psicologia Diante da Morte e do Morrer. Com abertura na segunda-feira, 27 de agosto, Dia do Psicólogo, universitários e docentes se reuniram para discutir as perspectivas da psicologia diante às complexas questões contemporâneas do comportamento humano, como: suicídio e feminicídio. Além da discussão sobre a atuação do psicólogo perante o luto.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa no mundo tira a própria vida. No Brasil, a estimativa é de que ocorra um suicídio a cada 45 minutos. Enfermidades emocionais como depressão e ansiedade atingem grande parte da população brasileira. Segundo a OMS, existem 18,6 milhões de brasileiros com ansiedade enquanto a depressão afeta 11,5 milhões de pessoas. 

Semana de Psicologia 2018

A Semana de Psicologia do UNASP discutiu o papel do psicólogo na prevenção ao suicídio e a violência contra a mulher. Além de discutir sobre o enfrentamento do luto e a promoção da qualidade de vida através da saúde emocional.#setembroamarelo #quebrandoosilencio #psicologia #vivamomentos #viavaunasp #unaspsp #muitoalemdoensino

Posted by Unasp São Paulo on Tuesday, September 11, 2018

 

Mesa redonda entre estudantes, professores e convidados

As programações aconteceram tanto de manhã quanto a noite. Após o conteúdo apresentado pelos convidados, professores do curso respondiam duvidas dos alunos e davam dicas a respeito do mercado de trabalho.

Logo no início da semana, as palestras abordaram temas referentes ao suicídio. Na terça-feira, 28 de agosto, as discussões enfatizaram o enfrentamento do luto.

Na quarta-feira, pela manhã, a professora Natasha Torlay Parente falou sobre a influência do Enfrentamento Religioso Espiritual em pais e mães que perderam um filho por homicídio, suicídio ou acidente. Para a pesquisadora, a espiritualidade e religiosidade dos pacientes têm sido um dos fatores que mais contribuem para o enfrentamento do luto. “Frente à grande violência que a gente tem hoje e a grande perda de jovens por causas externas como por homicídio, suicídio e acidente, foi feito um trabalho para ver como é que os pais estão enfrentando essas perdas e qual a influência da espiritualidade como um recurso de apoio diante esse processo de luto. Os resultados da pesquisa apontam que muitos pais e mães acessaram recursos da religião e da espiritualidade como forma de enfrentamento e que isso pode ajudar muito os pais”, explicou.

 

Quebrando o Silêncio 

Psicóloga, Mariana Franco, egressa do UNASP, falou sobre suicídio para alunos do Ensino Fundamental 2 do Colégio UNASP.

Enquanto universitários e convidados discutiam as complexas questões abordadas pela Semana de Psicologia, crianças e adolescentes estudantes do Colégio UNASP recebiam instruções e participavam de dinâmicas e palestras de prevenção à violência e ao suicídio. Como parte da campanha Quebrando o Silêncio, a diretoria de Desenvolvimento Espiritual e o curso de Psicologia trouxeram psicólogos formados pelo UNASP para compartilhar com os alunos informações e orientações para promover  conhecimento capaz de conscientizar a respeito de formas de expressar sentimentos e buscar auxílio. A campanha aconteceu durante os cultos semanais dos alunos.

Ao final da palestra, alunos receberam publicação da campanha Quebrando o Silêncio

Violência contra a mulher 

No penúltimo dia da Semana de Psicologia, a historiadora, Romilda Mota, e o psicólogo Josué de Castro Filho, discutiram sobre a violência e o homicídio contra mulheres, o que tem sido sintetizado atualmente pelo termo feminicídio.

Conforme o levantamento feito pelo G1 ao comparar dados sobe homicídio em todos os estados brasileiros referentes ao ano de 2017, cerca 12 mulheres são assassinadas por dia no país. Segundo o portal, em 2017 foram 4.473 homicídios dolosos. Desses 946 são considerados como feminicídios.  

“Eu procurei trazer para os alunos e para as alunas números que mostram que esse é um problema social global grande que traz consequências para as relações familiares e para os indivíduos, mas principalmente para as mulheres. Esses alunos depois de formados estarão nos consultórios, nas escolas ou nos postos de saúde. Eles precisam estar munidos para atender tanto esses homens que são os agressores quanto também pensar a situação da mulher. Entender que esses profissionais precisam trabalhar o psicológico dessa mulher, buscar trabalhar a questão auto estima. Enfim, a sociedade como um todo precisa pensar na questão como algo sério para que a gente apoie medidas para que essa situação se encerre”, refletiu a palestrante.

Universitárias do curso de Psicologia durante as discussões da semana

Ao longo de toda a semana os universitários puderam participar das discussões com perguntas e opiniões. O estudante, Thiago Konceruk, graduando do curso de Psicologia e que durante a semana ajudou a conduzir algumas das discussões, acredita que os temas abordados contribuíram para a sua formação.  “Todos os temas vistos durante essa semana são muito importantes para a nossa formação. Apesar de que muitas vezes a gente não vá trabalhar diretamente com esses assuntos, tudo vem contribuir. Pois se em algum momento formos questionados a respeito de suicídio ou outras coisas, precisamos ter o mínimo de informação para poder passar para as pessoas com quem vamos entrar em contato”, concluiu o aluno.

Vida Emocional Saudável

Para o encerramento da programação da 14ª Semana de Psicologia do UNASP, a professora Sueli Hisada, refletiu sobre Viver e adoecer: um olhar Winnicottiano. Após uma semana de discussões e informações a respeito de temas complexos e que desafiam os profissionais de saúde mental. A convidada enfatizou as possibilidades de viver com esperança através do auto conhecimento e da qualidade de vida com saúde emocional. “A saúde não é só a ausência de doença. É poder ter uma vida criativa, com movimento e poder constituir o seu próprio self. Eu costumo dizer que Deus dá uma impressão digital para cada um. Se isso não fosse importante, ele não teria esse cuidado com cada ser humano. Até gêmeos univitelinos tem a impressão digital diferente. Acho que isso quer dizer algo. Ele quer que cada um possa descobrir o seu selfie verdadeiro, possa construir a sua própria personalidade e possa ser uma pessoa que tem uma vida que vale a pena ser vivida”, afirmou Hisada.

Anualmente o UNASP se engaja na campanha Setembro Amarelo e incentiva atenção dada à medidas de prevenção ao suicídio.