Unasp São Paulo oferece curso gratuito de computação para pessoas com deficiência visual

Impacto Social

Escrito por

Aira Annoroso

Publicado em

05 jun 2019

Crédito imagens

Herbert Ferreira

Ronildo Silva com o professor Dr. Roberto Sussumu Wataya durante a aula do projeto “Alfabetização digital das pessoas com deficiência visual”.

Ronildo Silva é cego desde os 4 anos de idade. Hoje, com 30 anos, ele ainda aprende sobre o “universo digital”. Devido a cegueira, o jovem rapaz não acompanhou o desenvolvimento da tecnologia ao longo tempo, e a inclusão começou a ser mais discutida e colocada em prática quando já havia se tornado adulto.

A realidade de Ronildo começou a mudar nos encontros que começou a ter no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp-SP), do grupo “Visão Real”, com pessoas que possuíam a mesma deficiência. Nas reuniões, o jovem rapaz tomou conhecimento do projeto “Alfabetização digital das pessoas com deficiência visual”, também realizado no Unasp, cujo objetivo é ensinar os princípios básicos da computação para que esse grupo consiga se inserir ou conquistar uma posição melhor do mercado de trabalho.

Para ele, que participa do projeto há 4 anos, mudanças significativas aconteceram em sua vida após aprender mais sobre computação. “Aprendi sobre como funciona o computador e cada função, e isso é muito útil para o mercado de trabalho”, conta.

É notável a realidade de que quem possui algum tipo de deficiência precisa lutar muito para conquistar um espaço no mercado de trabalho. Segundo os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil existem quase 7 milhões de pessoas com deficiência visual. Só no bairro do Capão Redondo, periferia da zona sul de São Paulo (onde o Unasp campus São Paulo é localizado), vivem mais de 1.000 pessoas com cegueira ou baixa visão.

O projeto foi idealizado e é coordenado até hoje pelo professor Dr. Roberto Sussumu Wataya. A ideia surgiu quando Wataya foi questionado pela instituição sobre a aceitação, ou não, de um candidato com deficiência visual para o curso de Processamento de Dados. Pela falta de estrutura requerida para o caso, na época, foi negada a oportunidade ao indivíduo. “Este fato levou-me a vários questionamentos e reflexões, pois sempre busquei uma maneira de atuar auxiliando as pessoas a terem uma vida melhor, e no momento em que tive esta oportunidade, acabei negando-a. Percebi ser necessário fazer algo nesse sentido a fim de mudar essa situação, pois não é admissível que alguém não tenha o direito ao estudo, só por ter deficiência visual”, relata Wataya.

Após momentos de reflexão, Wataya ampliou seus conhecimentos sobre a Educação Especial, principalmente sobre o público com deficiência visual. Após diversas pesquisas de campo e na web, o professor constatou que a tecnologia da computação poderia contribuir significativamente para que esse grupo levasse uma vida normal, permitindo que o mesmo solucione alguns problemas.

Acompanhando o crescimento da tecnologia, hoje o Ronildo tem a oportunidade de aprender com as aulas de um novo projeto: “Smartphone com Android”, aprimorando ainda mais seu conhecimento digital. Atualmente qualquer pessoa com deficiência visual pode participar das aulas de forma gratuita, que ocorrem sempre às terças-feiras e quintas-feiras, das 16 horas às 18 horas.