Pesquisadora do Unasp estuda a inserção da mulher negra na contabilidade

Cultura e Ciência

Escrito por

Jota Terres

Publicado em

08 mar 2019

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Jota Terres

Dentro do mercado de trabalho, as mulheres negras estão sujeitas a sofrer uma discriminação dupla, de gênero e étnica

Se por um lado o cenário das últimas décadas demonstra que a participação feminina na sociedade atual aumentou, por outro, a discriminação contra a mulher no mercado de trabalho formal ainda persiste. Segundo levantamento desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado em 2018, mostra que este fato se agrava  também com mulheres negras, já que o desemprego para elas é 50% maior do que a média geral da sociedade.

O estudo, que tem por base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) aponta ainda que, para cada ponto percentual adicional na taxa de desemprego geral, a desocupação entre as mulheres negras é de 1,5 ponto percentual.

Rosangela Marques de Santana é pós-graduanda do Mestrado Profissional em Educação pelo Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho e desenvolve estudos relacionados ao tema. A mulher negra enfrenta os mesmos empecilhos enfrentados pelas mulheres nas empresas onde há uma maior quantidade do gênero masculino, em cargos elevados, funções gerenciais, dentre outros, somado aos preconceitos que os homens e mulheres negros enfrentam em qualquer outro tipo de emprego. Dessa maneira, a mulher enfrenta a discriminação de gênero, e por ser negra sofre a discriminação dupla, de gênero e étnica” explica.

Mulheres na contabilidade

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que o desemprego para mulheres é 50% maior do que a média geral da sociedade.

Rosangela é contadora e em suas pesquisas se dedica a tratar da mulher negra dentro do campo da contabilidade. De acordo com o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) o número de mulheres registradas entre os anos de 2004 e 2018 passou de 60 mil para 160 mil, sendo considerado um avanço quantitativo e pouco qualitativo, em termos de ascensões de cargos e exercício do ofício.

“O número de mulheres nas graduações das Ciências Contábeis é sem dúvidas equiparado ao dos homens, elas representam quase 50% dos profissionais regulamentados, não há como negar a presença feminina nessa área. Contudo, ainda há a necessidade de refletir se esse número está representado de forma quantitativa ou qualitativa, a depender dos espaços de trabalho onde estão alocadas” afirma Rosangela.

Para a professora Dra. Germana Ramirez, o trabalho promovido por Rosangela vem de encontro com necessidade de estudos sobre o tema. “Além da discriminação de gênero, muitas mulheres sofrem de discriminações étnicas. Avalio ser de extrema importância esta discussão que o estudo promove”, complementa.

Os negros são 64,2% dos desempregados no Brasil, embora representem 55,7% do total da população, segundo o IBGE. Dados da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho (RAIS) apontam que, em 2017, a contratação dos negros e pardos com nível superior cresceu num ritmo mais rápido do que entre os brancos.

Mas mesmo com números em expoente, não inviabiliza a discussão a ser feita sobre o racismo. “O melhor meio para criar uma conscientização dessa prática é a apropriação do conhecimento, e isso pode acontecer por meio da educação, com o objetivo que pode vir a posteriori, que é a melhora do indivíduo, é o pensar no outro com respeito, como ser humano, fazer valer o direito do outro” argumenta Germana.

Mestrado em Educação

O curso de Mestrado Profissional em Educação do Unasp favorece o desenvolvimento acadêmico, instrumentalizando os professores para uma atuação profissional consoante às questões contemporâneas que transitam no cenário educacional. Também contribui para o crescimento das habilidades pessoais como a capacidade de reflexão e compreensão sobre a importância da pesquisa em educação para a prática docente.