Livro-reportagem aborda a realidade das periferias de São Paulo

Impacto Social

Escrito por

Eva Cueva

Publicado em

27 nov 2018

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Eva Cueva

Ao passar 15 dias no bairro São Miguel na zona leste, a obra de Lia Costa traz uma visão diferente das periferias

A pesquisa acadêmica e as noites em claro até chegar ao trabalho finalizado, em muitas ocasiões, vira um verdadeiro tormento para os estudantes dos últimos semestres da graduação. Lia Costa, estudante do oitavo ano de jornalismo ao contrário de muitos, encarou o temível Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) como algo prazeroso.

A aluna do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), Campus Engenheiro Coelho escreveu o livro de romance não-ficção, com uma visão diferente da cultura periférica, sua arte e forma de vida.  Intitulado “As cores da cidade cinza”, ela buscou quebrar os paradoxos criados nas comunidades periféricas, pessoas que estão à margem da sociedade, um jornalismo diferente tornando o pouco conhecido em algo interessante.

O livro foi dividido em quatro partes, sem uma sequência de começo, meio e fim, basicamente é atemporal. Todas as cenas foram encaixadas de acordo com a problemática de cada parte. O trabalho conta as histórias de várias pessoas.

Como todo trabalho de conclusão precisa de uma ideia muito boa, a idealização do projeto de Lia nasceu a partir de um trabalho de faculdade sobre resistência que envolveu jovens recitando poesia no trem da cidade de São Paulo, mas ela não estava satisfeita somente em ter feito apenas a matéria, acreditava que esses jovens precisavam de mais espaço. Assim, Lia decidiu escrever mais sobre eles, “eu sempre quis ser escritora e livro reportagem sempre foi meu foco, e essa temática me tocou bastante quando eu conheci eles”, declara.

Foi o cartunista e professor em teologia Felipe Carmo, que no segundo ano de faculdade percebeu que a estudante possuía um potencial para escrita. “Quando você lê um tipo de livro como este parece que você está lendo histórias de ficção, mas nada do que está escrito é ficção é uma realidade. Coisa que o jornalismo tradicional não se preocupa em noticiar, por isso do ponto de vista acadêmico o trabalho alcançou tudo o proposto. Lia fez uma abordagem literário do jornalismo, foi jornalista e escritora ao mesmo tempo e conseguiu emergir na periferia, mesmo não fazendo parte dela. Transmitir o que realmente acontece lá, acho que é essencial para o jornalista e acima de tudo ela conseguiu dar uma beleza que a literatura e o romance acostumam dar quando se faz esse tipo de texto”, afirma.

Os parabéns por parte dos professores e amigos tornaram a noite da futura jornalista uma das mais importantes. De acordo com Jônatas Santana Luz, criador da capa do livro o tema abordado foi um assunto na qual ele se identifica muito. “Eu me sinto muito orgulhoso de ter feito parte desse processo, porque foi um tema social que me tocou muito, dando voz a pessoas, isso é muito valioso e uma coisa que eu também como futuro profissional persigo esse mesmo objetivo”, admite.