Universitários ajudam desabrigados de edifício destruído no centro de SP

Impacto Social

Escrito por

Murilo Pereira, Lóren Vidal, Lucas Rocha

Publicado em

15 Maio 2018

Crédito imagens

Herbert Ferreira, Isaac Maciel, Lucas Rocha

Universitários do UNASP campus São Paulo foram voluntários no atendimento e suporte às vítimas que ficaram desabrigadas após o desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida no Largo do Paiçandu, centro de São Paulo. Na madrugada de 1 de maio, feriado do Dia do Trabalhador, o prédio sofreu um incêndio vindo a desmoronar pouco tempo após as chamas começarem.

No mesmo dia da tragédia, em meio a voluntários e doações de diversos tipos, um grupo de estudantes do curso de Psicologia do UNASP-SP, supervisionado pela coordenadora do curso, Vivian Araújo, foi até a praça da igreja Nossa Senhora dos Homens Pretos onde permaneciam os moradores do prédio para oferecer acolhimento emocional. Os alunos chegaram no início da noite e ficaram até de madrugada conversando e ouvindo os desabrigados.

A universitária, Damares Borges, que é graduanda do curso, conta que havia planejado colocar as atividades da faculdade em dia durante o feriado e redigia uma resenha no momento em que recebeu a ligação da coordenadora chamando para ajudar as vítimas do incêndio.

Ao conversar e perceber a angústia das pessoas que não sabem como será a vida de agora em diante, Damares descreve a importância do acolhimento emocional em momento como esse. “É simplesmente olhar e falar: – eu te entendo, eu te respeito nas suas decisões. Eu sei que é difícil. Vai ser um recomeço, mas tudo bem. Eu posso segurar na sua mão, a gente tá aqui para isso. Esse era o melhor acolhimento possível que eu acredito poderíamos dar naquele momento. Foi uma experiência única de aprendizado e de humanidade”, afirmou.

Damares Borges e Felipe Lemos tinham planos diferentes para o feriado. Os moradores do edifício Wilton Paes de Almeida também. Até que tiveram muito mais que o feriado interrompido.Após a tragédia, um grupo de estudantes de Psicologia supervisionado pela coordenadora do curso, professora Vivian Araújo, passou algumas horas acolhendo e ouvindo sobre a dor dos que em um instante ficaram desabrigados.Confira o breve relato de quem descobriu que o que nos difere pode ser apenas um endereço. Pois todos somos iguais.#psicologia #redacaounaspsp #paissandu #saopaulo #desabamento #noticias #solidariedade

Posted by Unasp São Paulo on Thursday, May 10, 2018

Na mesma semana, muitos outros alunos do UNASP-SP ajudaram de diferentes maneiras. A Cruz Vermelha que recebeu uma grande quantidade de doações em alimentos e roupas para os desabrigados, precisava de auxílio na triagem e organização das doações. Mais de 40 estudantes colaboraram com este trabalho.

Além destes, outros universitários continuaram indo até a praça com o objetivo de ajudar no que fosse preciso. Um desses alunos é o estudante de enfermagem, Lucas Sampaio, que em meio aos seus compromissos de trabalho e estudos, se preocupou em ir até lá algumas vezes. “É muito triste. Muitas crianças estão morando na frente da igreja. Muitas gestantes e idosos. E o pior é que eles não sabem o que fazer. O bom que tem muitas pessoas cooperando. Devemos orar e tentar fazer mais para essas pessoas”, enfatizou.

Ainda no início da terça-feira, 1 de maio, dia do incêndio, o Centro de Influência Base Gênesis, ligado à Igreja Adventista e responsável por ações em prol do desenvolvimento humano, foi acionado pela Prefeitura de São Paulo. A sua sede está localizada na Praça da Sé, no coração da cidade, nas proximidades da tragédia. O pastor Daniel Donadeli explica que rapidamente foi até o local onde se reúnem os desabrigados com um grupo de voluntários. O objetivo principal naquela noite era conseguir orientar e encaminhar o maior número de pessoas a abrigos oferecidos pela prefeitura.

O coordenador da Base Gênesis, Wallyson Santos, destaca que uma das maiores necessidade das pessoas em um momento como esse não são apenas materiais, mas elas também carecem de atenção e cuidado  emocional. “Existem duas doações que custam muito, que é empatia e tempo. Muitas vezes quem passa por aqui doando tem boa intenção, mas ele quer deixar sua doação e ir embora. As vezes essas pessoas precisam de atenção. Muitos de nós poderíamos estar aqui, os apoiando  nesse momento e dizendo que está aqui para passar com ele esse momento difícil da sua vida”, reforçou.

Membros da Igreja Adventista em São Paulo se uniram às demais entidades e voluntários neste tipo de atendimento que busca suprir as necessidades imediatas sem deixar de se preocupar com os sentimentos e emoções de quem está em situação de crítica vulnerabilidade.

Além dos universitários do UNASP-SP, contribuíram as equipes da Ação Voluntária Adventista (ASA), os jovens do projeto Missão Calebe e os voluntários do projeto Um Ano em Missão, que trouxe jovens voluntários de outras cidades e de países vizinhos para desenvolver ações em São Paulo. A Igreja Adventista da República, também localizada na região do Largo do Paiçandu, mantém a algum tempo uma relação com os moradores do prédio, agora desabrigados. Por dois anos, a igreja trabalhou no auxílio aos moradores, em sua maioria carentes.

A Igreja Adventista em São Paulo continua à disposição das famílias e do município para contribuir com doações, atenção e cuidado por meio das suas comunidades locais, sedes administrativas, o Instituto Base Gênesis e UNASP-SP.