Unasp completa 20 anos como Centro Universitário de referência nacional

Acontece no Unasp

Escrito por

Aira Annoroso e Mairon Hothon

Publicado em

09 set 2019

Crédito imagens

Marketing Unasp

Após 20 anos do status de Centro Universitário, Unasp trabalha para maior desenvolvimento na área de pesquisa, ensino e extensão. (Arte: Mayara Vieira).

Há 104 anos, o Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), e a Educação Superior Adventista no país, começava a dar seus primeiros passos. Na época ainda caracterizado pelo Seminário Teológico, que depois se tornou um curso de Graduação em Teologia reconhecido pelo MEC, o Unasp já teve diferentes nomes:  Collegio Adventista (entre 1915 a 1944), Colégio Adventista Brasileiro (de 1944 a 1963) e Instituto Adventista de Ensino, o famoso IAE.

Mas foi há exatos 20 anos um dos momentos mais marcantes da instituição, a mudança de status, quando finalmente passou a ser o Centro Universitário Adventista de São Paulo, mais conhecido como Unasp. O momento marcou não apenas o crescimento acadêmico, mas o começo da integração entre os três campi localizados nas cidades de São Paulo, Hortolândia e Engenheiro Coelho. 

Expansão

O que surgiu apenas para ser o Seminário Adventista Teológico, Unasp hoje é uma instituição multicampi com polos EaD espalhados por todo o Brasil.

O que começou com 12 alunos em 1915, no bairro do Capão Redondo, zona sul de São Paulo, logo cresceu. A Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) tinha um grande interesse na expansão, pois a Prefeitura Municipal havia desapropriado 80% do terreno onde ficava o IAE. Dessa forma, os administradores, sob a direção do pastor e educador Nevil Gorski, concentraram seus esforços para que o “novo IAE” fosse construído.

Em 1983 a mantenedora adventista comprou uma fazenda em Engenheiro Coelho, interior do Estado. O sonho do projeto de uma futura Universidade Adventista do Brasil, que integraria o ensino superior da organização começava a se formar.

O professor Euler Bahia, que foi reitor do Unasp durante 16 primeiros anos e acompanhou grande parte do processo, conta que inicialmente a instituição encaminhou ao Ministério da Educação (MEC) uma Carta Consulta, solicitando a transformação das suas faculdades em uma universidade.

Enquanto esse processo tramitava junto aos órgãos oficiais, a legislação nacional alterou a tipologia das instituições de ensino superior no país. O IAE passou a se enquadrar em uma nova categoria. Concluído todo o processo de preparo, visitas e trâmites governamentais, finalmente foi aprovado o projeto. Em 9 de setembro de 1999, o então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, criou por transformação das faculdades existentes, através de Ato Oficial, o Centro Universitário Adventista de São Paulo

Bahia acredita que esse processo demorou porque o Ensino Superior no país andava a “passos lentos” de maneira geral, principalmente devido a burocratização na época. “Os anos 90 foram de relativa derrubada de algumas barreiras de ordem legal, e a instituição àquela altura já havia também realizado um grande investimento em preparo de pessoas para algumas carreiras, consideradas chave para a visão adventista de educação”, explica.

Atualmente Ensino Superior do Unasp, campus São Paulo, abriga 40 opções de cursos de graduação e pós-graduação

Segundo ele, com a Igreja crescendo, e o maior número de jovens demandando o Ensino Superior Adventista, havia sido criado o ambiente propício para uma aceleração na expansão.

“O período de transição do IAE, para se tornar um centro universitário, trouxe à equipe acadêmica um sentimento de alegria, de entusiasmo e de satisfação pela conquista e, também, de gratidão a Deus pela vitória institucional alcançada. Com certeza houve, também, um sentimento de preocupação e desafio pelos próximos passos que se seguiriam, visando se tornar uma instituição reconhecida e respeitada”, relembra Daguimar Lopes, chefe de gabinete da reitoria, na gestão do professor Euler Bahia.

Entre 1943, quando foi formada até a primeira turma de Enfermagem (primeiro curso superior de uma instituição adventista no país a ser oficialmente reconhecido pelo Ministério da Educação), até 2002 o Unasp era formado por dois campus universitários: Unasp São Paulo, onde se concentravam principalmente os cursos da área de Saúde, Exatas e Informática, e o Unasp Engenheiro Coelho, com cursos de graduação principalmente nas Ciências Humanas e Engenharias.

Integração

Em paralelo à expansão do IAE, outra instituição de ensino era estruturada em Hortolândia, no interior de São Paulo, desde 1949. O Instituto Adventista de São Paulo (IASP), como era chamado, oferecia o ensino básico, mas logo passou a oferecer a Educação Superior também. A instituição desde 2002 já levava o nome de Unasp Hortolândia, mas foi no dia 10 de dezembro de 2018 que o MEC unificou a Faculdade Adventista de Hortolândia (FAH) ao Centro Universitário, tornando o Unasp uma instituição multicampi.

“Como estamos inseridos em uma sociedade 4.0, também chamada de sociedade de rede, tudo está interligado e isso não passa de fora do Unasp. Quando nos tornamos uma instituição multicampi seguimos não apenas na direção de um projeto de integração e unidade, mas seguimos com a própria orientação bíblica, somo corpo e Jesus é a cabeça de tudo. Para comunidade docente e discente, todos ganhamos com a estrutura que o Unasp representa”, comenta o vice-reitor e diretor do campus Hortolândia, Dr. Afonso Cardoso.

Marco a Integração trouxe para o Unasp pastor mundial da Igreja Adventista, o teólogo Ted Wilson (terceiro da direita pra esquerda).

E se integração é a palavra que move o Unasp, o dia 28 de abril deste ano representou bem este momento. Em solenidade com representantes da Igreja Adventista em nível sul-americano e mundial, o presidente geral da organização, pr. Ted Wilson lançou a placa comemorativa de integração dos três campi e do serviço EaD.

Um fato histórico e interessante que remonta esse momento foi que em 1984 o pastor Neil Wilson, presidente mundial da Igreja Adventista na época esteve no Unasp campus Engenheiro Coelho lançando a pedra fundamental da futura ‘Universidade Adventista do Brasil’. 35 anos depois, em 2019, o pr. Ted Wilson, filho do Neil Wilson e atual presidente mundial dos adventistas esteve presente no lançamento desta comemoração.

Sala de Aula Virtual

Outro marco na integração do Unasp aconteceu em maio de 2017, quando o MEC autorizou a oferta de cursos de Graduação na modalidade de Educação a Distância (EAD). Com cursos de Graduação e a forte presença na área da pós e de extensão oferecidos a distância pelo Unasp desde 2012, atualmente o Centro Universitário Adventista mantém 74 polos espalhados pelo país.

Com a integração e maior autonomia de abertura de cursos, campi do Unasp passaram a oferecer mais oportunidades. Até 2021 campus Eng. Coelho vai oferecer 4 cursos na área de Saúde.

Com essa oferta, viu se a possibilidade de abrir na própria capital paulista unidades descentralizadas de Ensino, levando a Graduação adventista presencial para bairros como Campo Limpo, Liberdade e Vila Matilde. Segundo o secretário geral da instituição, professor Marcelo Alves, “para atingir esse objetivo o Unasp tem parceria com a Rede de Escolas Adventistas já existente e realiza a gestão integrada com o departamento de educação da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista, como forma de potencializar os resultados pretendidos”, explica.

Atualmente os três campi (São Paulo, Engenheiro Coelho, Hortolândia) e a modalidade EaD do Unasp oferecem 36 cursos bacharelados, 3 tecnólogos e 16 licenciaturas. Também possui mais de 80 cursos de pós-graduação lato sensu e 2 Mestrados Profissionais. A oferta dos cursos de graduação também acontece de forma expansiva tanto acadêmica quanto estruturalmente, como os cursos da área de Saúde que serão abrigados no campus Engenheiro Coelho, como Medicina Veterinária, Psicologia, Farmácia e Odontologia. Para 2020, um novo sonho está sendo construído, o Mestrado Acadêmico em Teologia,  processo já encaminhado ao MEC, com expectativa de autorização até dezembro deste ano.

Unasp 5 estrelas

Em 2018 o Unasp recebeu a nota máxima no recredenciamento da instituição junto ao Ministério da Educação (MEC). Uma equipe de avaliação esteve na instituição a fim de analisar o corpo docente, condições das instalações físicas, projeto pedagógico, entre outros quesitos. Após a análise, consideraram o Unasp nota 5 no Conceito Institucional, a maior do sistema de avaliação do país.

Unasp Hortolândia foi o último dos campi a se integrar legalmente ao Centro Universitário. Atualmente unidade se destaca nos cursos de Humanas, Informática e Educação Física.

Segundo o professor Lélio Lellis, pró-reitor acadêmico do Unasp, desde que a instituição se tornou um centro universitário em 1999, muitas mudanças ocorreram. “O Unasp tem investido na formação de servidores e alunos, e no aprimoramento de sua infraestrutura, a fim de poder cumprir sua missão educacional com excelência. Ao trilhar o caminho constante pela busca da qualidade, o Unasp avançou muito”, afirma.

A egressa Kamila Freitas, formada em Jornalismo pela instituição, acredita que deve muito à formação adquirida no Unasp, e que o ensino faz jus à nota 5 adquirida. “Pode parecer irrelevante durante o curso, mas a gente sente esse peso quando entra para o mercado de trabalho. Ter um centro universitário tão bem avaliado quanto universidades estaduais e federais convence qualquer um de que você teve uma das melhores formações do país”, ressalta a estudante que atualmente está emprega em importante agência de comunicação na cidade de Campinas, interior de São Paulo.

Já para a estudante de Psicologia do campus da capital, Paola Gularte, o diferencial dela ter escolhido o Unasp para sua formação superior se deve a metodologia de ensino. “os professores procuram sempre articular teoria e prática, além de promover encontros interdisciplinares entre os cursos. Isso nos ajuda a ter uma visão do todo, multidisciplinar do processo”, conta.

Além do Ensino

O pró-reitor acadêmico, professor Lélio Lellis, ainda menciona outras iniciativas que são consideradas avanços durante esses últimos 20 anos, como a melhora no sistema de hotelaria para os alunos que desejam morar em um de seus campi, crescimento de 5 para cerca de 20 mil alunos na última década, abertura de mais programas de intercâmbio em parceria com universidades internacionais, trainees profissionais, e a possibilidade de alunos e funcionários se inserirem em programas de voluntariado nacional e internacional.

Durante as férias, alunos e funcionários dedicam tempo e recursos para atividades voluntárias. Entre os resultados está a construção da Escola Técnica Adventista do Massauari, no Amazonas.

Só em 2019, o Unasp levou mais de 300 alunos para 15 diferentes países e 8 municípios brasileiros a fim de realizar atividades nas áreas de Saúde, Infraestrutura Urbana, Evangelismo, Educação e construção de casas e escolas. Além de servir como intercâmbio linguístico e cultural, os projetos de voluntariado servem para horas complementares dos estudantes.

Um dos exemplos de transformação social aconteceu na comunidade de Nova Jerusalém, no norte do Amazonas. Após seis férias de voluntariado, universitários e funcionários do Unasp, em parceria com alunos de seis universidades adventistas na América do Norte envolvidos no projeto ADRA Connections Extreme, inauguraram a Escola Técnica Adventista de Massauari (ETAM), que já oferece o ensino básico para cerca de 100 crianças da comunidade ribeirinha.

Universidade Adventista do Brasil

Faculdades, centros universitários e universidades são frequentemente confundidos, mas são diferentes e possuem suas particularidades. As faculdades são a “raiz” do processo, acabam oferecendo menos cursos de Graduação, os quais são destinados à um único ramo do conhecimento.

Já para se tornar um Centro Universitário, os pré-requisitos incluem um terço do corpo docente formado por mestres e doutores, e pelo menos um quinto deles deve ser contratado em regime integral. Tendo esse status, a instituição tem muito mais autonomia para criar novos cursos de Graduação, assim como foi com o Unasp a partir de 1999. Para se tornar uma universidade, a instituição deve aumentar o porcentagem de mestres e doutores e além de oferecer no mínimo dois programas de doutorado e quatro de mestrado.

Reitor do Unasp, Dr. Martin Kuhn compartilha os sonhos para o crescimento da instituição.

Neste dia 9 de setembro celebra os 20 anos de status como Centro Universitário e projeta novos planos, a fim de se tornar uma universidade. Para o reitor do Unasp, Dr. Martin Kuhn, esse é um “sonho a médio prazo. O primeiro status universitário já alcançamos, entre cinco a dez anos, sonhamos que o Unasp se torne a Universidade Adventista do Brasil”, afirma.

Para o atual reitor, a instituição precisa sempre estar em progresso, investido em melhorias no Ensino. Essas melhorias são por meio da tecnologia, aprimoramento do ensino a distância, incentivo à pesquisa científica e o oferecimento de capacitações aos docentes.

“Creio que devemos celebrar esse momento com todos, principalmente com os que nos antecederam e edificaram os pilares que sustentam nossos valores e nossa missão. Para o futuro, podemos retomar o que está escrito no “Marco à Integração”, onde afirmamos o sonho de uma “Universidade Adventista do Brasil, comprometida com a educação e salvação dos jovens e com o engrandecimento da pátria”, finaliza.