Surdos ainda têm muitos desafios relacionados à inclusão no mercado de trabalho, diz pesquisa

Impacto Social

Escrito por

Redação

Publicado em

17 abr 2019

Aluno Edson Loxe após defender seu TCC, junto com os professores dr. Fabio Bergamo e me. Walter Rubini, bem como a convidada da banca, a profissional surda Michele Estrela.

Falta conscientização das empresas e da sociedade em geral sobre a importância da inclusão social dos surdos no mercado de trabalho. Esta foi a principal conclusão da recém-publicada pesquisa realizada pelo egresso do Curso de Administração do Unasp São Paulo, Edson Gomes Loxe. Com o título “A Inclusão do Surdo no Mercado de Trabalho”, a pesquisa de Loxe apresentou um panorama da percepção dos surdos no que diz respeito à inserção deles no mercado de trabalho. O estudo foi apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso por Loxe, e acaba de ser publicada no caderno de educação e cultura do periódico científico “Formadores”, em seu décimo segundo volume.

A pesquisa teve como foco entender como os próprios surdos se percebem na sua jornada de busca e efetivação em uma colocação no mercado de trabalho. “O que me motivou a pesquisar sobre esse tema foi o meu trabalho voluntário de anos que realizo com os surdos. Além disso, na busca por estudos anteriores, percebe-se que o tema é uma lacuna real na literatura científica brasileira de gestão de pessoas”, afirma Loxe, o autor. Os resultados apontam para uma falta de entendimento da sociedade de que a cultura surda é diferente e que isso se reflete no mercado de trabalho.

Apesar do apoio da família, que muitas vezes se esforça para apoiar o surdo em sua jornada, a falta de preparação do mercado para receber esse profissional prejudica sua inclusão. Mesmo que existam legislações específicas para o tema, como a Lei de Cotas para Deficientes, vigente desde 2009 e amplamente debatida na pesquisa, há ainda um longo caminho para a inclusão definitiva desse grupo de pessoas no mercado. A pesquisa mostra, através de entrevistas com vários profissionais surdos, que para mero cumprimento da legislação se contrata pessoas para cargos que muitas vezes ele tem até formação em nível maior que o necessário para aquela função. Contudo, a falta de estrutura para recebimento desse profissional surdo (como intérpretes em Linguagem de Sinais, por exemplo) faz com que ele seja colocado em funções de níveis inferiores à sua plena capacidade.

Para o autor, é necessária a conscientização da sociedade e do meio corporativo da inclusão de pessoas surdas que, segundo o último censo do IBGE, são quase 10 milhões no país. Deve-se “entender a importância de estabelecer uma sociedade inclusiva, através de quebra de paradigmas e tabus, onde qualquer tipo de preconceito e discriminação devem ser banidos e as leis garantam o cumprimento de ações que conduza o Surdo a ter as mesmas oportunidades que um Ouvinte, e por fim, as políticas sociais funcionem de fato para garantir o tratamento igualitário entre Surdos e Ouvintes”, como propõe Loxe em suas considerações finais da sua pesquisa.

Inclusão como tema transversal

O Unasp trata o tema da inclusão como transversal, proposto por seu plano pedagógico institucional. Isto se traduz nas várias pesquisas realizadas no tema dentro dos Trabalhos de Conclusão de Curso e que tem originado publicações como a de Loxe. O me. Walter Rubini, um dos co-autores da pesquisa e também coordenador do curso de Direito afirma que a publicação é louvável e saiu em boa hora. “A inclusão do Surdo no mercado de trabalho apresentado nesta pesquisa, realizada no curso de Administração, vem ao encontro do GEDAIS, Grupo de Estudo em Direito, Acessibilidade e Inclusão Social que está em implantação no exato momento. Isto mostra a interdisciplinaridade e as possíveis parcerias que são fomentadas dentro do Unasp entre os mais variados cursos e iniciativas”, afirma o coordenador.

A pesquisa, proveniente dos trabalhos de conclusão de curso de Administração, tem como co-autores do trabalho, além do professor me. Walter Rubini, a professora especialista Jackeline Mennon, orientadora da pesquisa, e o professor dr. Fabio Bergamo, orientador de pesquisa do curso de Administração. O artigo completo contendo a pesquisa pode ser acessada clicando aqui.