Psicologia, Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia discutem atenção a pacientes em estado terminal

Profissão e Mercado

Escrito por

Murilo Pereira

Publicado em

30 out 2017

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Isaac Maciel

Lidar com a morte nunca é algo simples. Além do temor em morrer ou em perder alguém querido, a morte é uma realidade que também exige muito dos profissionais da área de Saúde. A necessidade de discutir este assunto e de preparar futuros profissionais capazes de lidar com a morte no cotidiano profissional, norteou o tema da sexta edição do Encontro Interdisciplinar em Saúde do Unasp campus São Paulo.

Nos dias 9 e 10 de outubro, os cursos de Fisioterapia, Enfermagem, Nutrição e Psicologia se reuniram no templo do campus para discutir a “Atuação do Profissional de Saúde ao Paciente no Final de Vida”.

Os cuidados paliativos são o entendimento de que todo o esforço das equipes de saúde deve ser a busca da cura, porém, quando esta cura não ocorre o paciente deve ter direito a uma morte digna e com menor sofrimento possível.

O encontro trouxe convidados especiais que lidam diariamente com estas questões. O que proporcionou o contato dos universitários com profissionais que têm muito a transmitir sobre o assunto. Entre representantes de grande referência nas áreas de Fisioterapia, Enfermagem, Nutrição e Psicologia esteve a doutora, Maria Júlia Kovács, coordenadora do Laboratório de Estudos Sobre a Morte pertencente ao Instituto de Psicologia da USP.

O evento que é anual representa uma das características do Unasp-SP em formar profissionais de saúde com a habilidade de interagir com colegas de outras carreiras e trabalhar em equipe. Esta é uma característica que resulta em significativo diferencial para o mercado de trabalho.

Ao presenciar a morte no dia a dia, os profissionais de saúde são confrontados com a possibilidade da própria morte, uma vez que todo o ser humano é mortal. Por isso, a importância de se trabalhar este tema que impacta a vida de todos. Desta forma, as inquietações provocadas por essas discussões favorecem o crescimento não apenas profissional, mas também humano de cada universitário. 

“O cuidado paliativo é cercado de tabus por envolver temas sensíveis como vida e morte; direito e dever; escolha e circunstância. Por isso, é de extrema importância que seja discutido, não para nos dar respostas prontas, mas para nos fazer pensar no tema. Isso nos ajuda a ter uma visão diferenciada de como agir quando encontrarmos situações semelhantes em nosso ambiente de trabalho”, considerou a estudante de psicologia Jessyka Nogueira que está concluindo o curso.

A convidada representante do curso de Nutrição, doutora Maria de Lourdes do Nascimento da Silva, coordenadora da Equipe Interdisciplinar de Gerontologia do Serviço de Geriatria no Hospital do Servidor Público, enfatizou a relevância do encontro na formação de profissionais.

“É fundamental que este assunto dos cuidados paliativos comece a ser introduzido e debatido de uma forma mais efetiva nos centros acadêmicos e nas universidades. Eu sou de uma geração em que a pessoa era velada em sua casa. Desde criança a gente ia convivendo com a morte. Independente se ela ocorria rápida ou de forma longa, havia um entendimento melhor. Agora, como nos afastamos muito desse entendimento e dessa proximidade, quando a morte ocorre o processo de luto é muito mais árduo também. A equipe multidisciplinar pode ajudar os familiares a lidar melhor com esse momento tão difícil”, destacou a professora.