Pesquisadora do Unasp analisa vínculo de séries televisivas e seus consumidores

Cultura e Ciência

Escrito por

Thamires Matos

Publicado em

06 dez 2019

Se, há décadas, o consumo de conteúdos em vídeo já era grande, é de se esperar que a demanda pelo audiovisual cresça na era dos dispositivos portáteis. Em pesquisa publicada neste ano, o App Annie – empresa de análise de dados móveis – apurou que o Brasil é um dos maiores consumidores de séries e filmes por streaming do mundo. Em sexto lugar, as visualizações no país cresceram 130%.

O número impressiona. A Infobase Interativa, uma integradora de dados, revelou que, em 2018, os serviços de streaming mais utilizados por brasileiros são a Netflix, o YouTube e o HBO Go. Essa última conta com um dos conteúdos originais mais assistidos do mundo: a série Game of Thrones, baseada na série de livros homônima de George R. R. Martin. A história se passa no país ficcional de Westeros. Os costumes do local se assemelham à cultura europeia da Idade Média. As oito temporadas do produto são recheadas com intrigas políticas e familiares, conflitos de personalidade, elementos fantásticos e guerras. Apenas no terceiro episódio de sua última temporada – exibida entre abril e maio de 2019 –, foram 17.400.000 visualizações no dia de exibição. Mas, afinal, o que leva pessoas do mundo inteiro a consumirem uma série de fantasia?

Para a professora do Unasp Lizbeth Kanyat, a resposta está no relacionamento dos consumidores com a série: ele é “afetivo, íntimo, de longa duração e dotado de fidelidade”. Ela, que é mestre em Comunicação e Práticas de Consumo pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), estuda esse vínculo entre os consumidores e a série Game of Thrones em seu doutorado. A pesquisa, que está em andamento, explica que a ligação é estabelecida por associação às personagens apresentadas.

“Em séries que arregimentam grandes índices de audiência no mundo inteiro, as personagens são construídas de maneira muito refinada: são complexas, representam arquétipos universais, e revelam a essência de dramas humanos transculturais”, revela a doutoranda. Assim, Lizbeth conclui que todos podem se identificar com alguma personagem de boas séries. Você pode fazer parte da pesquisa mencionada ao responder a esse curto questionário.