Lucas Barboza

História

Escrito por

Por Mairon Hothon

Publicado em

28 jul 2017

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(ver abaixo do texto)

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Sempre acreditei que o esforço e a educação poderiam mudar minha vida

Conseguir terminar uma graduação de qualidade hoje em dia pode até parecer fácil pela praticidade do ensino a distância, mas ainda é uma realidade distante para muitos. Segundo o último censo do Ministério da Educação, em 2016, menos de um milhão de estudantes conseguiu concluir a faculdade. Uma queda de quase 6% em relação a anos anteriores.

Seja pela crise econômica, pela má qualidade do curso, deficiência na educação básica ou mesmo pela falta de interesse, ter em mãos o famoso “canudo” já pode ser uma diferença para o mercado de trabalho. Um caminho que, claro, não pode parar na graduação, pois quanto maior o nível de escolaridade de um profissional mais alto é o seu salário. De acordo com o professor Antônio Freitas, membro do Conselho Nacional de Educação no MEC, cada ano estudado aumenta em média 15% a remuneração de um trabalhador.

Esse foi o caminho traçado pelo nosso personagem. Estudar e se dedicar sempre foi o caminho trilhado por Lucas Barboza, um verdadeiro jovem talento que aos 25 anos já realiza dois doutorados simultâneos na área de Engenharia Civil. Professor do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho, ele conta um pouco da sua história de determinação nos estudos e ressalta a importância de colocar na educação o caminho para a conquista.

2 anos adiantado

Natural do Rio de Janeiro, Lucas nasceu em um lar simples e sempre foi muito incentivado pelos pais a estudar. Já com oito anos possuía uma rotina de tarefas estabelecida e algumas vezes, por opção, trocava as brincadeiras de rua ou a saída com os pais para ficar recapitulando a matéria passada pelo professor. Pelo rápido desenvolvimento de ler e escrever, Lucas fez a prova de reclassificação na época da pré-escola e adiantou em dois anos seus estudos.

“Eu sempre peguei as coisas muito rápido. Se o professor explicava uma vez eu já memorizava, depois só fazia exercícios para fixar mais o assunto. Como era bem dedicado, não aceitava uma nota menor que 7. Queria dar valor ao esforço que meus pais faziam por mim”, relembra.

Passei na Federal

Quando chegou a fase do Ensino Médio, Lucas e as irmãs foram estudar no Instituto Petropolitano Adventista de Ensino (IPAE), e foi lá que ele teve a primeira oportunidade de mostrar sua facilidade com os números e ver o resultado dos esforços com os livros. Com apenas 15 anos, ele já havia terminado o 3º ano do Ensino Médio e foi aprovado no curso que tanto desejava pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Eu passei em 33º lugar no curso de Engenharia Química, mas minha mãe não me deixou cursar. Como eu era muito novo e bem pequeno, tinha 1,45 de altura apenas, minha mãe ficou com medo de me deixar sozinho. Fiquei um pouco decepcionado, mas como o ano não havia acabado ainda, voltei para o IPAE para terminar o Ensino Médio”, conta.

Por ter ganho em 1º lugar um concurso de matemática local, Lucas recebeu de presente do empresário Milton Afonso ainda ao final daquele ano, uma bolsa de estudos no Unasp. Não era necessariamente o que Lucas desejava, mas aproveitou a oportunidade e com 16 anos chegou ao interior de São Paulo para cursar a graduação em Engenharia Civil. “O começo foi difícil, mas eu sempre tive em mente que algumas fases são necessárias para a gente aprender. Outra coisa, nunca tive preconceito por estudar em faculdade particular. Você pode ser um aluno medíocre em uma federal ou estadual e ser ótimo em uma particular. Quem faz a diferença é você! O Unasp sempre supriu todas às minhas necessidades e expetativas”, enfatiza.

Por ser bolsista, Lucas dividia sua rotina entre faculdade, monitoria voluntária, trabalho e ainda estudava à noite quando chegava no quarto. Em média ele dedicava 2 horas por dia antes de dormir para estudar os assuntos das aulas. Aos domingos, parte do período era para aprender inglês. A rotina regrada surtiu efeitos.

1º lugar geral

Indicado pelos professores, Lucas ainda no começo do curso, conseguiu estágios nos laboratórios da faculdade e também em empresas de renome como o Grupo Falcão Bauer, Gerdau e Indutec. Junto a um amigo, estudou por fora e se inscreveu no Congresso Brasileiro de Concreto. No terceiro ano de tentativa, sua equipe tirou o 1º lugar e o recorde nacional como melhor peça de concreto de baixo consumo e de alta resistência.

O concreto pesquisado por ele no concurso também serviu de tema em seus dois mestrados pela Universidade Federal de São Carlos. Lucas dedicou-se aos estudos na área de Estruturas e Construção Civil e realizou as duas pesquisas simultaneamente. “O que facilitou um pouco fazer os dois mestrados ao mesmo tempo é que eu usava o material de uma pesquisa para resolver o problema da outra. Agora nos doutorados estou acompanhando o processo de compressão, tração, modo e elasticidade do aço concreto, algo que já trago desde a época da faculdade. Mas não eu não quero parar por aqui! Gosto de estudar e sinto prazer nisso. Se tiver condições vou tentar meu pós-doutorado na Universidade Politécnica da Catalunha no próximo ano”, desabafa.

Salários acima de R$20 mil

Foi nessa mesma época de mestrados, concursos, trabalho como professor do Unasp e casado a pouco tempo, que dois convites tentadores colocaram em cheque o que de fato Lucas Barboza acredita e julga como importante na vida. Ainda em dúvida se deveria fazer carreira no Centro Universitário Adventista, Lucas participou de um concurso nacional da Odebrecht com mais de 50 mil concorrentes e passou em 12º lugar. “A proposta era irrecusável, com um salário mensal líquido de R$21 mil! Contudo, eu teria de ir morar na África do Sul e não poderia levar minha esposa. Nessa mesma época eu pedi uma prova a Deus se deveria ir ou não. Ele me respondeu de forma surpreendente: passei em 1º lugar geral para o programa de mestrado. Quando vi minha colocação, percebi que Deus tinha um plano para mim aqui mesmo em Engenheiro Coelho”, ressalta.

Posteriormente Lucas foi convidado por uma Concreteira da região de São Carlos para empregar sua pesquisa na fabricação do concreto, já que ele havia encontrado uma forma de reduzir em até 3% os gastos com a produção, o que representaria para a empresa uma economia milionária. Mais uma vez um salário de saltar os olhos, cerca de R$25 mil mensais. Mas a decisão de Lucas foi a mesma: optou por ficar no Unasp. “No momento, prezo mais pela qualidade de vida do que ter dinheiro de sobra. Aqui eu consigo conciliar aquilo que mais gosto de fazer que é estudar e ensinar em um mesmo ambiente. Tenho certeza de que lá eu seria muito rico, mas viveria para trabalhar. Eu tenho sonhos ainda maiores”, afirma.

Hoje Lucas Barboza é o professor mais jovem do curso de Engenharia Civil no campus Engenheiro Coelho do Unasp. Exigente por natureza, tanto com ele mesmo quanto com seus alunos, Lucas não perde as oportunidades de conhecer um pouco mais da sua área e separar um tempo para ficar com a esposa e amigos. Para os estudantes de plantão, ele deixa um recado:

“Seus quatro ou cinco anos da graduação já estão garantidos, mas não se contente só com isso. É esse tempo que você passa na faculdade que vai definir o restante da sua vida. Ande a segunda milha, se envolva nos grupos de pesquisa e mergulhe nos estudos, pois esse retorno sempre será certo. Os erros podem acontecer aqui na academia, não lá fora”.

 

Créditos:

EQUIPE DE PRODUÇÃO
Gleik Max
Riane Junqueira
Clayton Galego
Lucas Schultz
Jéssica Lisboa
João Paulo (JP)
Benny Porto
Edison Sopper
Pâmela Burke

PERSONAGENS
Lucas Barboza
Pâmela Burke

FAMÍLIA LUCAS
Laércio Barboza
Ana Paula Barboza
Ana Clara da Silva
Ellen da Silva Barboza

LUCAS CRIANÇA
João Pedro

AMIGO LUCAS – CONCURSO CONCRETO
Andrews Magaieski

PESQUISA
Mairon Hothon

PLANO DE CONTEÚDO
Hadassah Sorvillo

PRODUÇÃO EXECUTIVA
Rogério Ferraz