Líder de Jovens fala sobre como viver feliz nos dias atuais

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Escrito por

Redação

Publicado em

30 set 2014

Com cerca de 25 anos atuando como conselheiro, amigo, líder e pastor de jovens em diferentes regiões do Brasil, José Venefrides esteve, entre os dias 15 e 19 de setembro, no UNASP campus São Paulo, falando para os estudantes universitários. Ele foi o orador da Semana de Oração Universitária que teve por título “Viva Feliz”. Nesta entrevista que você acompanha agora, Venefrides explica quais os elementos úteis para viver a felicidade plena na vida diária.

É nítida a alegria que a Semana de Oração Universitária trouxe para os alunos do UNASP-SP. O que motivou a escolha para o tema “Viva Feliz”?

A ideia surgiu porque eu vejo os jovens confundirem alegria com empolgação, felicidade com entusiasmo, com prazeres. Eu sempre quis dizer para os jovens que a vida é boa, é gostosa, é bela. A gente pode viver cada dia mais, cada dia melhor, mas precisa de Jesus para essa experiência. Para experimentar a verdadeira felicidade, a gente precisa de Jesus na vida.

Quais são os motivos para ser feliz?

Ah, são tantos… Viver é um motivo. E também amanhecer a cada dia e ver o sol brilhando, poder ver, sentir o cuidado de Deus, ter uma família que nos ama, ter amigos. Mas há estruturas do nosso caráter que nos dão condições de sermos ainda mais felizes. Eu quis abordar essa estrutura de caráter. A gente precisa ser sábio pra ser feliz. Precisa viver com propósitos, sem máscaras, com integridade. A estrutura do caráter tem que ser essa para ter uma vida plena, abundante.

Os jovens vivem o tempo todo publicando fotos sorrindo e em momentos felizes, nas redes sociais. Isso não quer dizer que eles já são felizes?

Não. Muita gente sorri por fora e chora por dentro. A gente experimenta momentos de alegria, às vezes, picos de alegria, e quando chega o momento em que as luzes se apagam, o som silencia, lá, no fundo no coração, a gente sente o vazio que nada preenche, sente que a satisfação não é plena. Quando estamos com os amigos, no meio de outros, em público, gostamos de usar máscaras. A gente quer mostrar uma coisa que não é. Por isso eu falei, nessa semana, sobre a importância de arrancarmos as máscaras para nos relacionarmos melhor, pra aprendermos a nos tocar. Confundimos a igreja com sentar um atrás do outro, olhando pra nuca um do outro. Isso não é igreja. Igreja é comunidade, é viver com gente que se ama, que se toca, que se conhece, que se ajuda, que ri com o riso do outro, que chora com o choro do outro, que sofre com o sofrimento do outro. Ao compartilhar as nossas dores também aprendemos a ser felizes. O mundo não é róseo. O tema “viver feliz” também não dá a ideia de que tudo é florido. Não. Nós temos problemas, temos dificuldades. Mas Paulo dá o segredo. Ele diz: “Eu aprendi a viver contente em toda e qualquer situação”. E completa: “Tudo posso naquele que me fortalece”.

Há psicanalistas que consideram a lógica da sociedade atual como depressiva. Nesse contexto, parece que ser feliz o tempo todo é ilusório ou que, com mais ou menos frequência, teremos que lidar com frustrações, desgostos e decepções, coisa com as quais as pessoas não estão sendo preparadas para lidar. O que o cristianismo tem para oferecer que é capaz de tornar a vida, mesmo em sua complexidade atual, mais agradável, prazerosa e cheia de otimismo e esperança?

Quando você coloca a alegria, a felicidade em coisas ou em pessoas, facilmente ficará frustrado. A alegria do cristão é colocada em uma Pessoa que não falha, que coloca concreto armado em nossos sentimentos: um Deus estável, um Deus que não passa, um Deus confiável. A diferença está aí. Você pode ter tudo, mas não tem Jesus, não tem nada. Você pode não ter nada, mas tendo Jesus, tem tudo. Deus dá uma estabilidade emocional ao indivíduo, uma segurança que supera todas as necessidades, todas as carências da vida. Mesmo na falta, nas tragédias, você sente que não está só. Sente que os anseios estão sendo supridos. Eu tenho visitado gente à beira da morte, em estado terminal, e encontro gente feliz. Vou pra confortar e saio confortado, porque a pessoa tem uma coisa que prazeres não dão, que poder não dá, que dinheiro não dá e que fama não dá, que é paz. Ela tem esperança. É isso o que o cristianismo pode oferecer. Jesus, quando fez o sermão do monte, colocou as qualidades de Seu reino baseadas no caráter. Ele trabalhou o caráter: humildade, viver em paz, viver com integridade, com limpeza de coração. Ele disse: “No meu reino, só aqueles que cultivam o caráter é que são felizes”.

Na experiência que o senhor tem, enquanto tem trabalhado com jovens, durante anos, o que tem visto como principal concorrente entre eles e a conquista da tão buscada felicidade?

A secularização. A gente vive, hoje, na busca do ter, o tempo todo. A gente quer mais. Pergunte para os jovens: “quais são os seus sonhos?” Eles são medíocres. Pensam em coisas pequenas: em ter um carro melhor, um emprego melhor, em ganhar um salário maior. Essa é uma mentalidade secularizada, baseada no ter. Chega a hora em que você olha pra trás e diz assim: “nada disso valeu a pena”. As coisas periféricas, superficiais, não sustentam a vida. É como se a pessoa estivesse construindo a vida em pilares. De repente, esses pilares, que não são os fundamentais, começam a sustentar. Na hora da tragédia, da dor, do problema, aquilo cai com um impacto muito grande. Esse pilar é arrancado e os outros, que estão embaixo, que são os que realmente importam, não conseguem sustentar o indivíduo. Quanta gente coloca fim à própria vida, vomita a vida porque colocou seu fundamento em coisas, no ter… Não existe plena felicidade nessas coisas. Essa confusão sobre o que é a base da vida define tudo isso.

Desde o momento em que o jovem decide que curso vai fazer e a partir da fase universitária, as escolhas só aumentam em intensidade. Qual o principal conselho que o senhor deixa, hoje, para o aluno do UNASP-SP, em relação a essa realidade?

Ninguém pode ser feliz se não viver para cumprir os propósitos de Deus para sua vida. Você foi feito por Deus, para Deus. Se não compreender isso, você não compreendeu o sentido da vida. Ninguém será plenamente feliz sem Deus, porque Ele nos criou e tem em Suas mãos nossa origem, nosso propósito, nosso significado e o nosso destino.