Fórum discute os desafios da educação confessional no Brasil

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Redação

Publicado em

13 nov 2014

Por Rosemeire Braga

Como abertura das comemorações dos 100 anos do Centro Universitário Adventista de São Paulo, UNASP, campus São Paulo, educadores de todo o Brasil reuniram-se, nesta quarta-feira,12, no campus localizado na zona sul de São Paulo para o I Fórum das IES Confessionais brasileiras. O programa foi organizado pela ANEC e pela ABIEE.

Esta é a primeira vez que ocorre um fórum desta natureza no Brasil. Segundo o idealizador do evento o 1º vice- presidente da ABIEE e reitor do UNASP, Euler Bahia, a proposta do evento foi fazer um levantamento diagnóstico dos desafios da categoria e criar estratégias para assegurar plenamente o direito de cada instituição continuar desempenhando o seu papel. “No cenário da educação brasileira há um importante papel a ser desempenhado pelas instituições confessionais, e este fórum vem para revitalizar o senso de valor e a importância destas instituições neste contexto. Nós vemos o indivíduo como um ser intelectual, emocional, físico, relacional e espiritual e prezamos pela formação integral do ser”, diz.

Representantes do governo brasileiro estiveram presentes no evento como o Secretário de Educação Superior do MEC, Paulo Speller que fez a conferência magna de abertura apresentando a conjuntura educacional do Brasil e a contribuição da educação confessional. Segundo ele, as instituições confessionais possuem um papel que é reconhecido pela sociedade brasileira na formação de jovens que se expande para a educação superior na formação de quadros técnicos, profissionais, docentes. “O governo reconhece que as confessionais ocupam um espaço importante e as 20 metas do plano nacional de educação abrem perspectivas bastante importantes para todos e em especial para os confessionais”, destacou.

Além deste reconhecimento segundo ele, o país precisa estar preparado para os desafios futuros e moralmente instruídos e as instituições confessionais tem um papel relevante neste cenário. “As confessionais têm uma contribuição importante a dar visando à construção em nosso país de uma sociedade mais justa e mais solidária, pois o trabalho que realizam não se limita aos muros dos seus campi, mas também atinge os entornos e a comunidade em que estão inseridos”, afirmou. Speller colocou todo órgão governamental que representa à disposição para a continuidade dos diálogos deste segmento.

Educação confessional em pauta

Para o diretor presidente da ANEC e reitor do Unissalle/RS, Paulo Fossatti, há o desejo das confessionais estreitarem vínculos com os governos para a participação das políticas públicas do país de forma mais direta. “Queremos reafirmar que estamos contribuindo para a sociedade brasileira e desejamos de uma forma direta, participar principalmente da implementação do plano nacional de educação, onde o governo tem metas ousadas e nós confessionais em nossa estrutura, temos pessoas bem preparadas, temos projeto político pedagógico que pode sim alavancar e contribuir com várias das metas do plano nacional de educação”, frisa.

O presidente da ABIEE e Reitor da Universidade Presbeteriana Mackenzie, Benedito Guimarães Aguiar Neto concorda com Fossatti e reforça que esta é uma boa oportunidade para a troca de experiências e a discussão de políticas públicas voltadas para a educação e o respeito às questões confessionais. “Somos um estado laico e nós temos que lutar para que este aspecto laico do estado possa ser preservado, ou seja, nós não admitimos que nenhuma lei venha interferir o nosso direito de livre pensamento em relação aquilo que nós cremos, a filosofia do que nós defendemos, pois as universidades confessionais não pregam qualquer proselitismo religioso”, reafirma ele.

Participou também do fórum o Presidente da Câmara de Educação Superior do CNE Dr. Erasto Fortes Mendonça. Ele apresentou a palestra Confessionalidade e Qualidade do Ensino: O olhar do CNE. Ele diz que este é o momento de caracterizar um pouco mais qual é a imagem e o papel específicos das IES Confessionais para a educação brasileira e se caracterizar a confessionalidade como uma marca da instituição.

Ao falar dessa marca, ressaltou que o evangelho, a bíblia é o que une os cristãos e que pensa que a profissão dos pressupostos deve estar baseada nestes valores. “A fonte do pensamento cristão está no que Jesus fez e do novo mandamento que deixou: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. E isso é o que deve caracterizar as IES Confessionais, construir um ambiente acadêmico e pedagógico e um clima organizacional que permita que as pessoas de fora olhem e digam: vejam como eles se amam”, diz ele que espera que este fórum seja o primeiro de muitos e coloca o CNE à disposição como fonte de consulta para aprofundar este debate.

O responsável pela área de Educação da Igreja Adventista na América do Sul, pastor Edgard Luz assistiu o evento e ressalta a importância de se defender e discutir a missão das confessionais. “Quando nós vemos um fórum como este onde outras instituições se somam também a este mesmo projeto, nós ganhamos força perante a comunidade não apenas como um conjunto de instituições confessionais mas como instituições que tem uma proposta além daquela que o estado ou que outras instituições oferecem”.

O anfitrião do evento, o Diretor Geral do UNASP-SP, Helio Carnassale diz ser significativo abrir as comemorações dos 100 anos do UNASP-SP com este fórum. “Sediar este vento é um privilégio pra nós pois é a primeira vez que estas duas grandes associações confessionais, a ANEC e ABIEE se reúnem para discutir uma pauta em comum num mesmo local e como instituição confessional, e abrir as atividades do nosso centenário com uma pauta acadêmica confessional é tudo de bom”.

Algumas pessoas que vieram ao evento ficaram impressionadas com a riqueza da discussão em pauta como o Diretor Institucional da Federação Israelita do Estado de São Paulo (entidade que representa e coordena os judeus no estado de São Paulo),Dr.Alberto Milkewitz.

A proposta do vento o impressionou como algo novo e por sentir que há educadores com as mesmas preocupações que ele. “A gente não educa no vazio, educa no contexto, e o contexto do brasil atual tem algumas peculiaridades que algumas delas podem ser consideradas um pouco inóspitas para tudo que tem a ver com o ensino associada a algum tipo de fé. Foram feitas aqui apresentações interessantes e de qualidade e isso não se encontra em qualquer lugar, afinal poucos se reúnem para fazer estes tipos de encontros”, comenta.

Resoluções do fórum

Além das palestras, discussões e plenárias realizadas, no encerramento do evento foi feita uma carta do fórum de IES Confessionais intitulada “Compromisso com a educação e a liberdade”. Este documento é um marco e expressa de forma integrada o posicionamento das instituições confessionais hoje e a sua atuação no futuro e torna claro para toda a sociedade o pensamento das instituições de ensino superior confessionais que se reuniram neste encontro.