Encontro celebra arte no Centenário do UNASP-SP

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Redação

Publicado em

19 jun 2015

O 1º Encontro com a Arte, que aconteceu entre os dias 15 e 18 de junho, reuniu obras de 14 diferentes artistas que possuem em comum a proximidade com a história do UNASP campus São Paulo e celebrou a presença e contribuição da arte no Centenário da instituição. São ex-alunos, funcionários, amigos da comunidade e convidados que compartilharam seus talentos e inspiração com alunos, professores e toda a comunidade do campus.

Universitários dos cursos de graduação e alunos da Educação Básica passavam todos os dias na exposição para conferir as obras expostas no hall de entrada do Edifício Universitário durante a semana do encontro. Na parte da tarde os alunos inscritos tiveram contato mais próximo com os artistas ao participarem de oficinas de desenho, gravura, cubismo e escultura. A noite assistiam às palestras apresentadas pelos mesmos artistas convidados. Os temas eram apresentados em forma de bate papo tronando o conhecimento mais acessível e próximo.

Entre os artistas que participaram do 1º Encontro com a Arte estavam Devson Lisboa, Gidalti Junior, Eduardo di Pardi, Dominicio de Oliveira, Valentim Keppk, Ramon Carvalho, Noemi de Oliveira, Maria Angélica de Luca, Taeko Yoshimura, Eduardo Santos e Edson Guedes e a curadora do evento, Cleide Oliveira.
De forma especial o encontro homenageou a memória e o legado de artistas que fazem parte da história do UNASP-SP. Muito conhecido no meio adventista por ser o criador da Turma do Nosso Amiguinho e por ilustrar por décadas páginas de diversas publicações da Casa Publicadora Brasileira, CPB, Heber Pintos formou-se em Teologia em 1967 no antigo IAE, hoje UNASP-SP. Algumas de suas peças originais foram emprestadas pela CPB para serem exibidas ao público que prestigiou o 1° Encontro com a Arte.

A editora adventista foi o local em que Heber trabalhou por mais tempo. Mas antes de se dedicar exclusivamente à Casa, sua atuação como freelance ao longo de 17 anos também o levou a ficar conhecido externamente.

Em 1980, por exemplo, quando ainda morava com a família no Uruguai, sua terra natal, Heber criou o mascote da Copa de Ouro ou Mundialito de Futebol. A competição, organizada pela FIFA, foi sediada em Montevidéu e marcou os 50 anos da Copa do Mundo de Futebol, reunindo todas as seleções campeãs até então. O trabalho de Heber foi escolhido entre outras 1.500 propostas.

Sua esposa Ingrid Pintos conta que depois disso o artista recebeu diversos convites para trabalhar em agências de publicidade argentinas e uruguaias, além das propostas feitas por empresas brasileiras, sobretudo de São Paulo. Porém, recusou todas essas oportunidades, pois trabalhar para Deus era sua prioridade. Antes de assinar contrato de trabalho efetivo na CPB, o que aconteceu em 1986, ele ainda ilustrou algumas publicações da editora Abril e fez trabalhos para a revista Náutica. Seu longo currículo também inclui a passagem pela Escola Panamericana de Artes como professor por dois anos.
No contexto adventista, um de suas contribuições para a arte cristã foi a ilustração do livro Vida de Jesus, de Ellen G. White, cuja versão foi publicada no início da década de 1980 em inglês, francês e espanhol pela editora adventista norte-americana Pacific Press. 

Para quem começou a trabalhar fazendo desenhos para ser projetados em slides usados em estudos bíblicos, séries evangelísticas e pelo ministério infantil, a pregação do evangelho através da arte ganhou novos horizontes quando ele passou a trabalhar em tempo integral na 

Foi Ingrid quem o apresentou à editora. Em 1968, quando se conheceram, ela exercia a função de secretária na CPB. Na época, a sede da instituição ainda ficava localizada em Santo André, na região do ABC paulista. Ao longo de 38 anos de casamento ela apoiou esse ministério, que exigia muitos sacrifícios. Aliás, Ingrid conta que era comum encontrá-lo tarde da noite tentando traduzir em imagens seus insights.
Para ela a principal inspiração do marido vinha do seu relacionamento com Deus. “O Heber era uma pessoa que vivia uma religião prática. Estudava muito. Concluiu Teologia em 1967 e isso o ajudou muito nos trabalhos que fazia. Ele era uma pessoa totalmente dependente de Deus e reconhecia que o seu dom vinha dEle”, afirmou.

Embora seja difícil classificar entre tantas obras de arte uma que seja a obra-prima de Heber Pintos, Ingrid considera especial o retrato de Jesus publicado na capa da Revista Adventista de julho de 1992. Desenhada a lápis e em preto e branco, a expressão do rosto de Cristo leva à reflexão. “Acho que essa obra foi fruto de um de seus principais momentos de inspiração. De qualquer ângulo, os olhos de Cristo acompanham quem está olhando a imagem. E fico feliz em saber que pessoas tenham sido atraídas a Cristo através das imagens que ele fez”, expressa.

Ao observar o rosto de Cristo que faz parte do monumento “Jesus, o Mestre dos Mestres”, inaugurado no dia 9 de maio de 2015 como marco do centenário do Unasp, campus São Paulo, Ingrid percebeu grande semelhança com o retrato de Jesus desenhado por seu marido há décadas atrás. O artista plástico, Devson Lisboa, autor da obra, confirma essa semelhança. Desde menino ele é um admirador das obras de Heber e admite que a coincidência nos traços do rosto de Cristo pode ter sido uma referência que ele guardou desde a infância. As duas obras são parecidas e diferem em alguns detalhes. Enquanto Heber retratou Jesus com um rosto sério e com a cabeça parcialmente coberta pelas vestes, Devson o esculpiu sorrindo e com os cabelos descobertos.

“Foram quarenta anos de dedicação à obra. Eu acho que uma imagem fala mais que mil palavras e ele deixou milhares de imagens”, conclui Ingrid.
O artista Luiz Antonio de Luca também teve suas obras apresentadas e sua memória homenageada. Assim como Heber, foi um filho da Educação Adventista. Iniciou sua carreira em 1976 trabalhando em uma indústria que desenvolvia projetos de vidros. Formado na Faculdade Luzwell e passando também pela Escola Panamericana de Artes, foi em 1983 que deu início a sua carreira artística profissional com pinturas a óleo sobre tela. Ao mesmo tempo, foi desenhista projetista criando frascos para perfumarias como Mahogany e Avon.

“Assim como todo mundo aqui admira uma obra de arte, eu me lembro de ficar admirando a produção dela. Admiramos o produto final, mas eu ficava admirando o processo para se fazer um quadro, que era o que ele mais fazia. Assim também era com os frasquinhos que ele fazia”, lembra seu filho Bruno de Luca, graduado em Psicologia pelo UNASP-SP.

Entre as obras que Luiz Antonio de Luca deixou, uma das mais lembradas por seus amigos do UNASP-SP é uma reprodução em maquete da igreja do campus.
“O que eu sinto hoje é uma satisfação enorme. Não tem palavras para conseguir definir a emoção que eu sinto de poder ver esse legado dele. observar as obras dele me ensinaram muito como pessoa, como ser humano que pode sim expressar bem suas emoções, seus pensamentos e seus sentimentos. Se nós formos falar em termos artísticos, o que ele me ensinou foi isso”, expressou Bruno.