Educadores adventistas discutem a contribuição da Educação Física para o viver saudável

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Escrito por

Redação

Publicado em

21 jan 2015

Praticar hábitos que trazem qualidade de vida é uma recomendação constante por parte dos profissionais de saúde. Além da ênfase no cuidado com a alimentação, a atividade física é um item que não pode ser visto como secundário. Um exemplo disso é a pesquisa feita pela Universidade de Cambrigde, na Inglaterra. Os resultados de um estudo detalhado que levou mais de 12 anos revelou que o sedentarismo mata muito mais do que a obesidade.

A pesquisa foi publicada no dia 14 de janeiro através do periódico científico American Journal of Clinical Nutrition, dias antes do relatório divulgado, no dia 19, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) o qual mostra que 38 milhões de pessoas no mundo perdem a vida por causa de doenças cardiovasculares, cânceres, doenças crônicas respiratórias e diabetes. Enfermidades relacionadas em grande parte ao estilo de vida.

Nesse interim, educadores físicos adventistas de diferentes regiões do Brasil e de países como Chile e Estados Unidos se encontraram no UNASP campus São Paulo, entre os dias 15 e 18 de janeiro, para discutirem justamente as contribuições da Educação Física para a educação cristã e o viver saudável.

“Quando Deus criou o universo, Ele colocou tudo em movimento. Então, quando nós estamos ativos nós estamos falando a linguagem de Deus”, concluiu o doutor Don Morgan do departamento de Saúde e Performance Humana da Middle Tennessee State University, durante a terceira edição do Congresso Brasileiro Adventista de Educação Física.

Para Morgan, as facilidades trazidas pela tecnologia e os hábitos de vida do século XXI contribuem para que as pessoas permaneçam inativas e sedentárias. Nesse contexto, a disciplina de Educação Física no conceito da educação cristã é fundamental pois ajuda os alunos a terem na atividade física um hábito prazeroso desde a infância. “Todos os professores em uma escola contribuem para a vida da criança o que vai durar por muito tempo, mas o professor de Educação Física pela própria natureza do trabalho, pelo jogo pela emoção faz isso de uma tal forma que pode alcançar um benefício que vai durar até a eternidade”, considerou.
O educador, pesquisador e autor de diversos livros na área de Educação Física, entre eles Educação de Corpo Inteiro e Ensinar Esporte, Ensinando a Viver, João Batista Freire, durante a sua fala no congresso contribui para a compreensão do potencial que a Educação Física exerce na formação integral do aluno. Para ele, o modelo de educação que deixa a criança, apesar de toda a sua energia, limitada de movimentação dentro de uma sala de aula, precisa ser refeito. A Educação Física seria portanto a única disciplina que essencialmente permite ao aluno se movimentar o que contribui para o desenvolvimento e o aprendizado enquanto o aluno brinca ou participa de um jogo, por exemplo.

Freire explica que quando brincamos não fazemos isso em troca de alguma coisa, mas de graça. O que para ele significa o mesmo que estar em estado de graça. “Viver em estado de graça é realmente viver. Quando nós trabalhamos, fazemos o necessário para a manutenção da vida. Quando brincamos, desfrutamos a vida. A Educação Física não é qualquer coisa. A Educação Física ensina a viver”, expressou.

Exercitando corpo e mente

Além do benefício para o corpo e a saúde, Morgan lembra que a atividade física traz bastante contribuição para o desenvolvimento intelectual de uma criança na escola. “Nós também entendemos que um corpo saudável é parte de uma educação completa para uma criança. Para os cristãos, o corpo a mente e o espírito estão conectados. Há muitas pesquisas hoje que confirmam que as crianças que estão em melhor condição física tem um melhor desempenho acadêmico na escola. Isso mostra a conexão possível que pode ser alcançada no aspecto cognitivo em relação aos benefícios da atividade física”, detalhou.

O psicólogo e também educador físico, Belisário Marques, explica que através da Educação Física e da pratica esportiva é possível ajudar as crianças a exercitarem o controle da vontade. Marques destaca que na educação cristã, obedecer é exercer a escolha. “O objetivo da disciplina é ensinar a criança o governo de si mesma para evitar sofrimentos futuros”, afirmou.

Educação, Saúde e Salvação

Aplicando o tema do congresso ao futuro, conforme a compreensão adventista, entre a diversidade de temas debatidos e analisados, o professor Leslie Portes, doutor em Ciências da Saúde e Fisiologista do Exercício, apresentou um estudo sobre Educação Física, estilo de vida e saúde no contexto do grande conflito.

Ao recordar as principais mensagens sobre saúde que Ellen White recebeu durante o seu ministério, Portes defendeu o princípio de que o estilo de vida adventista é antes de tudo um dom de Deus para a salvação do ser humano. “Quando a pessoa cultiva o estilo de vida adventista, o estilo de vida proposto pela Bíblia e amplamente documentado cientificamente, nós promovemos e em alguns casos recuperamos a saúde. Ele me ama de tal maneira que não só morreu por mim, mas dá orientações para eu viver bem. Mas nós precisamos deixar claro para as pessoas que o fim não é o exercício, não é o estilo de vida o fim é estar bem para entender a vontade de Deus e tomar a decisão certa. O estilo de vida não é um fim em si mesmo, mas um meio de levar as pessoas mais próximas de Jesus”, enfatizou.

“Esse embasamento filosófico de quem somos, a nossa origem, e para onde vamos já me levou a estabelecer um projeto de aulas em que eu conscientize meu aluno que nós temos um diferencial quanto filosofia de educação e sobre que escola nós somos”, afirmou Valter da Rocha Junior professor do Colégio Adventista de Mogi Guaçu, SP.

Em meio a variedade de assuntos pertinentes tratados durante a terceira edição do Congresso Brasileiro Adventista de Educação Física, um conselho do palestrante João Batista Freire, reforçou um princípio que faz parte da filosofia da educação cristã adventista no que diz respeito ao relacionamento entre aluno e professor. “Não sejam professores se não forem amorosos. Educação é um ato de amor”, aconselhou.

por Murilo Pereira