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Curso de História apresenta nova proposta para 2014

Com o objetivo de enriquecer o currículo escolar desses alunos, o curso de História procurou elaborar um horário que favoreça o encontro de todos os alunos para um momento nomeado de Estudos Avançados em Licenciatura e História.

Texto: Redação

Nos últimos anos, no Brasil, as licenciaturas não têm atraído mais um grande número de estudantes de graduação. Porém, contrariando a realidade, este ano o curso de Licenciatura em História do Unasp-EC atingiu o total máximo de vagas para ingressantes.

Com o objetivo de enriquecer o currículo escolar desses alunos, o curso de História procurou elaborar um horário que favoreça o encontro de todos os alunos para um momento nomeado de Estudos Avançados em Licenciatura e História. Todas às terças-feiras, no terceiro horário, professores do curso e convidados discorrerão sobre temas contemporâneos inseridos no espaço escolar, na ótica dos historiadores e áreas afins.

Dessa forma, para recepção ao ano letivo e inaugurando este espaço de Estudos Avançados, foi realizada no dia 18 de fevereiro uma aula magna para os alunos. A apresentadora foi a historiadora Sara Cristina de Souza, doutoranda pela Unicamp. Ela é mestre na área de História Cultural, com ênfase em História das Religiões, e ministrou uma palestra intitulada "As lentes da história – pensamentos sobre habilidades de leitura e escrita da história". O tema de sua dissertação foi “Cristandade de Colores: a Igreja Católica e o Movimento de Cursilhos de Cristandade durante a Ditadura Militar no Brasil (1964-1980)”, defendida em 2009 pela Unicamp. Atualmente Sara pesquisa a representação do Islã na imprensa estadunidense durante a Revolução Iraniana em 1979.

Após um panorama da Revolução Iraniana, que completa 35 anos em 2014, a palestrante discorreu sobre habilidades de leitura necessárias. Problematizou o ditado chinês “uma imagem vale mais do que mil palavras", no que se refere às imagens criadas pelo fundamentalismo cristão norte-americano sobre o Islã e veiculadas pela revista Christianity Today. Citou as reportagens do jornal The New York Times sobre a Revolução Iraniana entre 1979 e 1989 e o ponto de vista da política norte-americana. Opinou ainda sobre o debate entre dois historiadores orientalistas que se contrapõem – Bernard Lewis e Edward Said – destacando a contribuição deste último no livro clássico “Orientalismo: a Invenção do Oriente pelo Ocidente”.

A palestrante também tratou sobre a importância da leitura crítica, da produção de textos de história com a preocupação em compreender as representações sobre o Oriente e a necessidade um olhar que desmonte discursos construídos pela mídia, pelas instituições oficiais. “Devemos evitar dois pecados capitais em nossa profissão: o juízo de valor sobre o que pesquisamos e o anacronismo, ou seja, trabalhar conceitos e ideias de uma época para analisar os fatos de outro tempo”, afirma Sara. Ela também acrescenta que pesquisas acadêmicas podem ser equivocadas ao tentar avaliar um determinado tempo histórico à luz de valores que não pertencem a essa mesma temporalidade.

Para Denise Scandarolli, colega da palestrante desde os tempos de graduação e professora nos cursos de História e Música do Unasp-EC, a palestra foi produtiva. “Acrescentou muita informação, despertou o interesse dos alunos calouros e criou oportunidade para os veteranos utilizarem conceitos históricos em suas indagações, o que é muito importante”, avalia.

O aluno Luiz Eduardo Oliveira afirmou que “a palestra revelou o desconhecimento do Ocidente sobre o Islã em sua essência e a leitura distorcida da mídia”. Na opinião da professora Dayana de Oliveira, uma das incentivadoras da ideia dos Estudos Avançados, o espaço para o debate foi criado para que “instigue a reflexão e uma prática docente transformadora”. 

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