Congresso do Unasp, Conexão Global, explora essência do voluntariado

Impacto Social

Escrito por

Lucas Rocha e Quézia Salles

Publicado em

20 abr 2016

As missões de curta duração tem atraído centenas de jovens, sobretudo os universitários que dedicam as férias letivas para o trabalho voluntário. No entanto, o esforço em ajudar outras pessoas não deve se restringir somente a um mês do ano. A missão deve ser um estilo de vida. Foi o que alertou o voluntário André Kanasio, estudante universitário que relatou a experiência de ter atuado como missionário na Índia durante a segunda edição do Congresso de Missões do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus São Paulo.

“As pessoas devem excluir a ideia de que não vale a pena ser missionário no Brasil porque tem muita coisa pra fazer no exterior. Na verdade os dois precisam. Missão não é algo para você fazer nas férias, depois voltar para casa e relaxar um pouco. Missão é a vida, 24 horas por dia, sete dias por semana. Em qualquer lugar você pode ser útil para mostrar o amor de Deus para as pessoas”, disse Kanasio.

O estudante faz parte do grupo Maranatha Brasil, entidade sem fins lucrativos que atua em parceria com a Igreja Adventista para construir salas de aula e templos para adoração. De acordo com o site da instituição, no ano passado foram desenvolvidos projetos no Panamá, Angola e Brasil.

Durante o congresso, que reuniu mais de 180 jovens entre os dias 16 e 17 de abril no campus do Unasp localizado na capital paulista, outros projetos foram apresentados: O Núcleo de Missões do Unasp e o Instituto Base Gênesis, centro de influência adventista localizado na Praça da Sé, em São Paulo, entre outros.


Olhar para o Brasil

Geralmente os voluntários se interessam por grandes desafios, facilmente encontrados em países em que ainda não há presença adventista, ou que há pobreza extrema. Wallyson Santos teve a oportunidade de atuar como voluntário em um campo de refugiados. Hoje, ele continua ajudando imigrantes, porém sem precisar estar em outro país. Santos coordena o Instituto Base Gênesis, que auxiliou mais de 1,2 mil pessoas só em 2015, primeiro ano do projeto. “Às vezes a gente fica esperando uma grande chance para fazer missão. Mas a oportunidade é diária. Sempre há pessoas que precisam no seu bairro ou cidade”, pontua.

O pastor Elbert Kuhn, diretor do Serviço Voluntário Adventista em oito países sul-americanos também destacou a importância de termos uma atitude solidária, independente do lugar onde estamos. “Você não conseguirá atravessar o mundo para ser voluntário se você não conseguir atravessar a sua rua para ser um missionário”, destaca. Segundo o pastor Kuhn, o maior beneficiado no trabalho voluntário é o próprio voluntário. “Quando nos colocamos à disposição de outros, nossa vida ganha significado”, afirma.

Benefícios do Brasil

Devido à liberdade religiosa que existe no Brasil, os voluntários não tem restrição para realizar missões. Já em países em que há algum tipo de resistência à atuação de cristãos, é necessário dar ênfase na mensagem de saúde ou oferecer ajuda humanitária. “No Brasil, podemos usar tanto essa abordagem indireta, que apresentamos outra mensagem antes de falarmos da Bíblia, quanto a abordagem direta”, destaca o pastor John Tomas, diretor mundial do Serviço Voluntário Adventista.

Na visão do pastor Emmanuel Guimarães, diretor do Serviço Voluntário Adventista no Estado de São Paulo, as missões de curto prazo são um importante preparatório para quem quer dedicar um ano ou mais da vida para o voluntariado. “Quem participa da missão de curto prazo, que duram entre 10 e 30 dias, está mais apto para as de longo prazo, que são as de 1 ano em diante”, explica.

No próximo período de férias escolares, mais de 200 alunos do Unasp campus São Paulo vão participar de diversas equipes de voluntários, que atuaram no Brasil, outros países da América do Sul e no Egito, por exemplo. A segunda edição do Encontro de Missões do Unasp-SP faz parte da preparação dos alunos atuarem como voluntários.