Unasp capacita professores do bilíngue de Colégios Adventistas

Acontece no Unasp

Escrito por

Luciana Ferreira

Publicado em

19 dez 2019

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Milena Rodrigues

100 professores participaram do treinamento do Bilíngue – um projeto da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista em parceria com o Unasp e a Casa Publicadora Brasileira (CPB)

De acordo com pesquisas de institutos como Education First (EF), British Council e do Instituto de Pesquisa Data Popular, no Brasil 5% da população fala inglês, e apenas 1% apresenta fluência no idioma. Os números revelam um desafio para o país. No entanto, a realidade pode ser diferente para as futuras gerações com o crescimento da Educação Bilíngue.

Professores participaram de atividades práticas a serem aplicadas em sala de aula.

Um levantamento da Associação Brasileira do Ensino Bilíngue (Abebi) apontou  que, desde 2014, as ofertas desse tipo de metodologia cresceram 10%. Para atender ao mercado e pensando nos benefícios que a fluência em duas linguagens oferece para as crianças, a sede da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul iniciou a implantação do sistema Bilíngue em colégios da rede. Ela é uma “tendência de mercado que começou a ser percebida pela Rede de Educação Adventista”, além de ser sugerida por pais de alunos, como explica o diretor-associado da Educação Básica na Rede Educacional Adventista da Divisão Sul-Americana, pastor Almir Augusto de Oliveira.

A fim de garantir a qualidade do ensino bilíngue, o Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho, ficou responsável por acompanhar a implantação do projeto nas escolas e capacitar o corpo docente. Um treinamento presencial foi realizado no Unasp de 16 a 18 de dezembro. Cerca de 100 professores de escolas adventistas das várias regiões do país participaram do momento. No evento, os docentes realizaram atividades práticas com situações vivenciadas em sala de aula, acompanharam projetos de escolas da rede, participaram de sorteios e trocaram experiências. “A capacitação presencial intensiva aborda tópicos de educação bilíngue, imersão no material didático, técnicas e metodologias de ensino apropriado para cada idade”, explica a coordenadora do programa para a Rede Adventista, Janice Ricciardi.

Além de ampliar o conhecimento por meio de atividades práticas, os professores participaram de palestras com especialistas na área educacional. O doutor Francisco Amâncio Cardoso Mendes foi um dos palestrantes e levou os professores a refletirem sobre o bilinguismo como agente de mudança. “É preciso encarar o bilíngue como algo importante, inerente na construção sócio-histórica e cultural do aprendiz, de tal forma que proporcione a ele em tempo presente e futuro uma disruptura, uma mudança”, enfatiza o especialista, que trabalha com formação docente e consultorias em instituições de ensino.

“É preciso refletir sobre o bilinguismo como agente de mudança”, destaca palestrante.

Janice esclarece que, além do treinamento presencial, a equipe do Unasp acompanha e orienta os docentes nas escolas. “Os professores recebem nossa visita presencial – mensal ou bimestral -, na qual cada turma é observada por um orientador que sana as dúvidas, fornece feedbacks das aulas, pontua pontos positivos, pontos a melhorar e sugere planos de ação junto ao professor. O acompanhamento proporciona ainda assessorias sobre eventos como o Thanksgiving e Dia das Mães”, ressalta. 

A coordenadora do Programa Bilíngue no Colégio Unasp e supervisora do projeto na Rede, Lilian Cardoso, reafirma a importância da capacitação no preparo dos professores. “Nesse treinamento, desenvolvemos tudo a ser aplicado em sala de aula. O professor aprende que precisa compreender como funciona o processo de aprendizagem de uma nova língua pela criança, a fim de atuar como mediador”, destaca Lilian. 

Projeto Bilíngue e material didático 

Janine Petersen já era professora da Educação Infantil e do Fundamental I, e, por esse motivo, foi convidada para participar da aplicação do piloto do Bilíngue no Colégio Adventista de Florianópolis, Centro. Ela relembra o processo de adequação e preparação dos alunos, da família e dos colaboradores da escola para receber o projeto. “Montamos uma verdadeira festa de ambientação. Enviamos cartinhas, vídeos, áudios. Tudo isso ajudou para construir a questão do lúdico, para que tivesse a expectativa de algo novo, mas de forma a não assustar os alunos. A partir do primeiro dia de aula, eu falei inglês, e, depois disso, foi só inglês. As crianças foram muito participativas”, comemora a professora.

Em sala de aula, o novo idioma é ensinado de forma natural. Por não ser a primeira língua das crianças, o professor do bilíngue utiliza diversos recursos audiovisuais e brincadeiras para inseri-la sem amedrontar. “Não obrigamos a criança a nada. Ela aprende sem perceber, participando de uma brincadeira”, relata Janine. No início, o projeto não contava com o apoio de um material padronizado. Para atender à demanda, Janine Petersen, junto às professoras Anilce Littke, Claudia Martins e Janice Ricciardi, foram convidadas pela Casa Publicadora Brasileira (CPB) a construir um material didático voltado para crianças de 3 a 5 anos de idade. 

Anilce Littke, Claudia Martins, Janice Ricciardi e Janine Petersen, autoras do livro Little Friend.

Cláudia Martins, uma das autoras do livro Little Friend e que já trabalha com educação bilíngue desde 2000, explica que o material utiliza uma abordagem comunicativa. Gestos, expressões e mímicas do professor e do aluno são utilizados com o objetivo de estimular a criança a fazer associações. Outro recurso adotado é a retomada dos conteúdos trabalhados em diferentes abordagens. “A essência do programa é fazer da criança o protagonista do próprio aprendizado. É ela que atua; o professor é apenas um mediador”, frisa. 

Após longos estudos e parcerias com instituições educacionais adventistas estrangeiras, o projeto bilíngue no Brasil chegou ao modelo utilizado atualmente. Em 2019, 18 escolas aderiram ao programa. Em 2020, será um total de 40 instituições desenvolvendo o ensino em inglês nas séries iniciais. Segundo o pastor Almir Augusto de Oliveira, apesar das conquistas, ainda há um desafio a ser solucionado. “Nosso maior desafio é encontrar professores preparados para atuarem no bilíngue. Por isso, a partir de 2020, o próprio Unasp estará oferecendo uma pós-graduação em ensino bilíngue. A ideia é que os professores das escolas interessadas façam a pós e estejam preparados para atender a demanda”, esclarece. 

Benefícios do Bilíngue

Diretor do Unasp EC, Pr. Marcos Alves e representante da Educação na DSA, Pr. Francisco Amâncio.

Os benefícios do ensino bilíngue vão além da aprendizagem da língua.  Pesquisas sobre esse tipo de educação mostram que uma pessoa que fala dois ou mais idiomas precisa de um espaço menor no cérebro para acessar informações múltiplas. Isso permite que as conexões sinápticas sejam mais rápidas. Além disso, o raciocínio lógico e analógico são mais precisos, e o sujeito consegue montar histórias facilmente por conta das várias relações. 

“A partir do momento que o professor possibilita uma melhoria no processo de aprendizagem, um aumento de conexões cerebrais, uma ampliação do raciocínio lógico, das relações metalinguísticas, de trabalhar com cognição verbo-visual, ele está proporcionando que o aprendiz  interaja ativamente no processo”, salienta o doutor Francisco Amâncio Cardoso Mendes.

Para os próximos anos, a ideia é expandir, gradativamente, o Projeto Bilíngue para as demais séries da Educação Básica na Rede de Educação Adventista.