Alunos dos cursos de saúde do Unasp participam de debate sobre o tratamento de pacientes com COVID-19

Cultura e Ciência

Escrito por

Aira Annoroso

Publicado em

03 abr 2020

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Arquivo Unasp

Sala de reunião durante o debate contou com a participação de mais de 70 pessoas.

Os alunos dos cursos de saúde do Unasp (Graduandos de Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição e Psicologia, e da Pós-graduação) tiveram a oportunidade de participar de um fórum multidisciplinar para discussão do manejo clínico de pacientes com o novo coronavírus (COVID-19) na noite desta quinta-feira (02). A iniciativa da reunião partiu dos docentes da Pós-graduação em Fisioterapia em UTI e Fisioterapia Cardiorrespiratória, incluindo também a participação de outros profissionais da área que estão atuando na linha de frente no combate ao vírus.

Segundo o Dr. Alexandre Oliveira, docente do Unasp e profissional do Hospital Sírio-Libanês, o objetivo do encontro virtual foi manter os alunos atualizados. “Quanto mais informações o profissional da saúde tiver, mais completo ele será, então nosso objetivo é atualizá-los não só com base em dados científicos, mas em dados clínicos também de quem está enfrentando esse vírus”, afirma em concordância com a Dra. Maristela Santini, coordenadora geral de Pós-graduação, pesquisa e extensão do Unasp São Paulo.

Para Maristela o objetivo da Pós-graduação é preparar para o mercado do trabalho, com isso, é necessário estar atento para os temas atuais. “O diálogo sobre o tema promove atualização e informações claras para alunos e profissionais. Os profissionais de saúde são o grupo mais exposto, precisamos instrumentalizá-los para a assistência e para que protejam-se”, completa a coordenadora.

Tratamento multidisciplinar

Oliveira afirma que todos os profissionais de saúde estão sendo sobrecarregados de alguma maneira, o que está exigindo um esforço físico e mental. “Se todos estiverem compreendendo o que o outro está passando, conseguimos juntos unir forças para combater essa crise. Então é essencial que o profissional tenha conhecimento da parte nutricional, medicamentosa, de prevenção, emocional e espiritual”, destacou.

Além de médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, entre outras profissões, o Dr. José Renato Leite reforçou a importância dos fisioterapeutas no tratamento dos pacientes infectados. “Os fisioterapeutas também estão na linha de frente, dentro dos hospitais, nas UTIs, clínicas, cuidando dos pacientes com problemas respiratórios. E precisamos preparar nossos alunos, futuros profissionais e já profissionais para o combate à este novo coronavírus”, enfatizou.

Leite também relembrou as centenas de vagas que foram abertas para fisioterapeutas durante este período da epidemia, mostrando a importância da atuação desse grupo. “Uma guerra dessa se faz com bons soldados, munição e estratégia”, disse.

Demonstração de equipamento para assistência ventilatória.

Outro ponto bastante discutido durante o fórum virtual foi qual o melhor momento para fazer assistência ventilatória no paciente diagnosticado com a Covid-19, e que esteja com dificuldade respiratória. Para a Dra. Suellen Keyla do Hospital Samaritano da capital paulista, quanto mais cedo introduzir a ventilação no paciente, mais chances de êxito terá. Em contrapartida, o Dr. Fausto Candido, que participou do diálogo durante seu plantão no Hospital Sancta Maggiore, comentou como tem atuado nesses casos.

Dr. Fausto Candido participando do debate durante uma pausa no seu plantão.

“Introduzimos o cateter nasal com saturação entre 90 e 95 e depois máscara com reservatório. Se a dificuldade respiratória persistir, introduzimos a ventilação mecânica. Não temos usado ventilação não-invasiva porque ela tem muito escape”, exemplificou Candido, que precisou voltar ao trabalho em determinado momento, mas antes aconselhou que os profissionais e futuros profissionais procurassem ser extremamente gentis com os pulmões dos pacientes.

Prevenção nutricional e emocional

De forma multidisciplinar, a nutricionista Dra. Sabrina Viana e a psicóloga Dra. Vivian Araújo também conversaram com os alunos a respeito da prevenção nutricional e emocional, tanto de pacientes quanto dos profissionais.

Sabrina reforçou na conversa que não existe um alimento específico que cure ou previna o contágio do coronavírus. Para ela, o segredo é a alimentação equilibrada. “O corpo do indivíduo bem nutrido, reage de forma diferente ao vírus”, comentou desmistificando a ideia de que coquetéis, shots e suplementos vitamínicos devem ser inseridos na rotina alimentar de um indivíduo comum.

Psicóloga Vivian Araújo destacou a importância da saúde mental durante esse período de epidemia não só para pacientes, mas principalmente para profissionais que estão na linha de frente e precisam lidar com a nova rotina de trabalho.

“Alguns micronutrientes relacionados a imunidade como a vitamina A, C, E, D, entre outros, nem sempre precisam ser suplementados, porque eles já estão presentes na alimentação equilibrada naturalmente”, reforçou Sabrina.

Vivian tranquilizou dizendo que é esperado que em tempos de Covid-19 os profissionais sofram devido à diversos fatores. “Precisamos dentro do serviço de psicologia admitir essas pressões e esses medos, porque assim temos condições de nos prepararmos melhor para tudo que essas inseguranças trazem”, conclui a psicóloga, reforçando também que as pausas, a alimentação, a possibilidade do exercício físico, contato virtual com a família e amigos e a espiritualidade são importantes para promover a saúde mental.