Fórum debate questões étnicos e raciais em instituições confessionais

Cultura e Ciência

Escrito por

Redação

Publicado em

04 dez 2018

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O encontro comemorou o Dia da Consciência Negra na instituição

Os debates sobre temas étnico-raciais ganharam protagonismo dentro do Centro Universitário Adventista de São Paulo, campus Engenheiro Coelho (SP), com a realização do Fórum A Cor da Consciência – Diálogos étnicos-raciais no ambiente confessional. A iniciativa inédita marcou o Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, e promoveu a apresentação de trabalhos acadêmicos, artigos, roda de conversa e músicas.

 O Brasil possuí 16,8 milhões de pessoas autodeclaradas pretas. Número que cresceu 14,9% entre os anos de 2012 e 2016 e revelados nos dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios Continua 2016, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Fórum A Cor da Consciência – Diálogos étnicos-raciais no ambiente confessional surgiu entre universitários que estudam e abordam o tema em pesquisas, como revela Jônatas Sant’Ana, um dos organizadores. “Essa iniciativa começou bem informal e nós acabamos formalizando as discussões que tínhamos entre amigos, e pensamos em estender isso para o âmbito acadêmico. Unindo os trabalhos dos amigos que fazem parte desse grupo para serem apresentados aqui nesse encontro”. Comenta.

“A gente percebe que existe essa necessidade de falar pela nossa vivência. Isso passa da nossa vivência para o acadêmico e aí você descobre que existem acadêmicos que falam sobre isso. Eu percebi a necessidade de existirem mais trabalhos brasileiros falando sobre isso, existem trabalhos de pessoas de fora, mas não têm muitos brasileiros falando do assunto.  Precisa mostrar que existe solução para o problema do racismo e que existe dentro do ambiente confessional também”, relata o universitário.

Sobre o Fórum A Cor da Consciência – Diálogos étnicos-raciais no ambiente confessional, a Coordenadora do Núcleo de Estudos da Diversidade Étnica e organizadora do Grupo de Pesquisa em Educação e Diversidade Étnica, doutora Germana Ponce de Leon Ramirez, afirma ser um espaço que possibilita mudanças. “Isso é importante porquê faz com que o universitário e os servidores sejam instigados a refletir sobre a discriminação de uma forma geral e possibilita mudanças”, comenta.

Apresentações

Foram apresentados 5 trabalhos apresentados durante a primeira edição do Fórum A Cor da Consciência – Diálogos étnicos-raciais no ambiente confessional, sendo dois artigos e 3 Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC).

Entre os expectadores, o angolano e universitário da graduação de Teologia, Fernando Cossa aprovou a iniciativa. “Quando eu fiquei sabendo do evento eu fiquei interessado. E eu sendo africano, nunca tive uma experiência de segregação de cor. Mas quando cheguei aqui (Brasil) eu comecei a perceber essa luta, o menosprezo com as pessoas que são pretos”, revela.

“Então foi interessante encontrar alunos que estão estudando sobre isso e os resultados que trouxeram aqui foram extremamente importantes. Porque a final de contas somos todos iguais e Deus morreu por todos e a própria Bíblia fala que todos somos um em Cristo, não importando raça, língua ou cor”, concluí.

NEDE
O Centro Universitário Adventista de São Paulo mantém o Núcleo de Estudos da Diversidade Étnica que incentiva pesquisa sobre diversidade étnica e promove eventos sobre essas questões. Outras ações são desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa em Educação e Diversidade Étnica (GPEDE) em atividade desde 2010.

Anualmente são realizados os seminários de Direitos Humanos e a Questão Indígenas (SEDHI) e o de Debates sobre a Consciência Negra (SECONI), que resultam em artigos, livros e participações em eventos nacionais e internacionais de discentes e docentes da instituição.

Os universitários interessados em participar dos Grupo de Pesquisa em Educação e Diversidade Étnica devem procurar as coordenações de História ou Pedagogia.