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Prazer, você.

Eu preciso conversar com você sobre algo que, aparentemente, é muito importante – não só para nós, mas para mais ou menos 7 bilhões de pessoas.

Pareceu sério e valioso? É porque no fundo é, mesmo que a gente não veja.
Então se acomode, pega umas comidinhas, dispa-se de todo pré-conceito existente em você e venha viajar.

Você já escutou falar sobre empatia? Acredito que sim.
Caso contrário está na hora de sair da caverna hahaha

Desde pequenos aprendemos sobre características que boas pessoas possuem, entre elas nossa famigerada empatia. Mas já parou para pensar o que realmente significa ser e desenvolver ela?
Logo que eu pergunto para ti sobre o significado sei que vai pensar em algo como: “É se colocar no lugar do outro”, “Tratar a outra pessoa como eu gostaria de ser tratado”, “É entender o outro”.
E certamente a maioria dessas alternativas estão corretas.

“Qual seria o problema então, Lay?”

   Simples. Como quase tudo que está no nosso cotidiano, não prestamos atenção e tiramos um momento para refletir sobre o real significado e como vivê-lo.
   Pode me responder uma pergunta? (Além dessa, claro.) Ok, lá vai: Qual foi a última vez que você saiu da sua concha e se permitiu sentir, imaginar com clareza, dedicar tempo, chorar ou sorrir, refletir e se deixar ser reflexo, tudo de forma pura e sincera, quando alguém compartilhou alguma experiência contigo?
É interessante quando paramos para pensar nisso, porque constantemente estamos presos em nossas armaduras de forma que não nos permitimos entender o outro.

Mas, antes da gente continuar, acho que seria interessante entender um pouco o significado do nosso objeto central de reflexão. Afinal, sem saber o que é, não tem como entender como será.
Segundo
Alfred Adler, psicólogo austríaco fundador da psicologia do desenvolvimento individual, empatia é:

“ver com os olhos do outro,
ouvir com ouvidos do outro
e sentir com o coração do outro”.

O que seria ver, ouvir e sentir através do outro?

   Quando crianças, reagimos muito rapidamente aos outros de uma forma quase que imitando seus comandos, algo chamado de espelhar. Basicamente, nosso corpo – que é todo feito de sensores – responde automaticamente o movimento do outro primeiro. E isso não é ruim.
   Por exemplo: Dentro de um grupo de pessoas, uma levanta-se e pede para que todos levantem o seu braço, ela também levanta junto. Com voz suave diz: “Agora eu vou pedir que vocês levantem o seu polegar” – mas ela levanta o indicador ao mesmo tempo. Quando olham uns para os outros percebem que muitos ali seguiram o movimento dela ao invés do comando por palavra. (Você pode ver isso aqui  entre 9:10 – 9:40)
   Isso provavelmente ocorreu contigo em algum momento. Lembra daquela brincadeira do “toca na nuca” mas a pessoa colocava a mão na testa?
E esses são só apenas dois dos muitos exemplos divertidos.

É super interessante e engraçado perceber
que temos essa característica de refletir o outro,
ler ele antes de raciocinar sobre. Não acha?  

   Infelizmente, ao decorrer da nossa vida acabamos adormecendo isso,  o que é extremamente triste. Porque a percepção está ligada ao foco e sensibilidade que temos perante as coisas. Muitas vezes perdemos a oportunidade de enxergar verdadeiramente algo por se prender tanto — não digo nem em nós mesmos, pois não dedicamos tempo descobrindo quem somos, mas em nossos afazeres e forma cega de viver.
   Lembra quando te disse sobre isso ser importante basicamente para quase todas as pessoas do mundo? Não te falo à toa ou supondo. Coloquei a palavra “empatia” no google trends e ela simplesmente teve um crescimento de busca significativo nos últimos 5 anos. Isso não quer dizer algo?
Veja nossa realidade hoje. Chegamos no nível de aceitar a existência de cursos de humanização. O que viramos para chegar a esse ponto? O que eu me tornei se preciso que me ensinem a ser humano?

E agora então, como reaprender a empatia?

Olhando para trás

   Acredito que o primeiro passo seria voltar ao seu eu infantil. É bem verdade que temos preconceito quanto as crianças e mal as respeitamos, tratando como se não fossem pessoas de verdade (falta de empatia). Mas elas são o puro humano após a queda.
As crianças estão constantemente descobrindo a si mesmas e ao mundo. As emoções, o toque, sabor, pessoas, simplesmente tudo. E talvez seja exatamente por isso que os pequeninos são empáticos, porque descobrem o outro.

De acordo com Isabella Sacramento:


“Muitas vezes não percebemos bem o nosso corpo
e os pedaços dele.
Quando paramos para perceber
criamos um caminho neural que nos leva a
reconhecer e conectar com aquele pedaço”

O mesmo ocorre ao ler o outro.

Arte no olhar

   Criar essa sensibilidade pode ser algo complicado para nós. Contudo, a arte pode nos ajudar com essa quebra de lentes uma vez que visão artística é essa possibilidade de olhar o mundo com beleza.
   O olhar para o belo transforma o nosso corpo do que ele está acostumado a ser para o que ele realmente é. Quando observamos o belo durante o nosso dia trazemos leveza para nossa vida e sensibilidade no olhar. Logo desenvolver a empatia passa a ser mais fácil.
   Apreciar as pequenas coisas requer tempo, assim como mudanças. Mas sabe uma coisa que sempre esquecemos de realmente dedicar um tempo intenso e intencional? Ao nosso próximo.

   Eu sou ele, nós somos eles

    Não é apenas escutar, mas se permitir reconhecer o outro em você, e você no outro. É experimentar voltar às nossas origens e usar o espelhar para entender que somos um, mesmo que diferentes. Aprender que quando fazemos algo a alguém estamos fazendo a nós mesmo é umas das grandes chaves para a porta da felicidade. O espírito de união e comunidade, por exemplo, só pode existir através dessa sensibilidade no olhar, essa forma de ver e compreender o mundo empaticamente.
   Você pode pensar que isso é uma visão impossível. Mas na verdade quase tudo que o mundo chama de utopia e romantismo são mudanças profundas.

Na alegria e na tristeza

   Toda vez que pensamos sobre ser empáticos costumamos associar isso a algum momento de tristeza. E olha, é bem mais fácil ir nessa linha. Mas ser empático também tem ligação com celebrar a alegria do outro sob a perspectiva dele, assim como outros sentimentos, tais como medo, angústia…
   Sei que parece bem fácil até, mas imagine que você e um amigo estão competindo por algo e ele ganha o primeiro e você o segundo lugar. Normal se sentir mal, e não há problema algum com isso. Porém se deixarmos esse sentimento transcender ao ponto de não compreendermos a alegria do outro e querer ferir ele estamos fazendo o contrário da empatia. Porque não buscamos ver através do outro, mas querer trazê-lo para nosso caos. Mais uma vez vale ressaltar: O que fazemos ao outro fazemos a nós mesmos.

Reconheça o Mestre

   Se existe uma pessoa que entende de empatia nesse mundo esse alguém é Jesus. Ele é mestre da sensibilidade. Te desafio a olhar um dos quatro evangelhos e reconhecer os momentos em que ele foi empático; são muitos.  Mas creio que a maior prova de sua empatia foi se fazer humano. Já parou para pensar na dimensão disso? Um ser divino se fez homem para compreender sua obra de arte e estender salvação para a mesma através da sua realidade. E se ele fez, quem somos nós para não tentarmos?
   Acredito que essa seja a chave: compreender a realidade do outro; fazer para ele aquilo que ele gostaria que fosse feito; não necessariamente o que ele merece, mas o que precisa. Pois cada um é um e tem a sua idade, história, compreensão e necessidades.

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