Academia das Letras

Relatos de uma Estagiária de Letras – por Giovana Lamac

Na trajetória universitária do Curso de Graduação em Letras, dentre os vários
desafios que enfrentamos, cursar a disciplina de Estágio Supervisionado é parte
essencial da nossa formação. É neste momento que temos a tarefa de observar as
aulas de professores da Educação Básica e de registrar a quantidade de horas que
experimentamos com eles, aprendendo o máximo com tudo o que presenciamos.
Com isso, muitas dúvidas surgem ao longo do curso, sobretudo em relação a essa
etapa, a qual, por vezes, nos dá até um “medinho” quando pensamos que similar a
esse contexto está, tão em breve, a nossa realidade de exercício profissional – a
prática formal de professor. Pensando nisso – e nas vezes em que eu mesma estive
nessa ansiedade –, foi que decidi registrar, como relato pessoal, a minha experiência,
com o fito de democratizar informações e reflexões desse momento desafiador,
contudo, muito prazeroso.
É preciso considerar, antes de tudo, que o estágio de Licenciatura em Letras
é, sem dúvida, extremamente relevante à formação, caro colega. Como parte disso,
lembro que se o acadêmico conseguir absorver as mensagens as quais se encontram
no interstício dessa experiência, ele vai confirmar, decerto, que a aprendizagem
transcende a sala de aula, pois há detalhes vislumbrados apenas por um olhar
comprometido.
Aula após aula o estagiário acompanha o professor em suas turmas, entramos na
sala em silêncio e assim permanecemos.
A cada momento de prática, observamos as trocas de informações e a relação
amistosa e horizontal professor-aluno. Ficamos, então, em silêncio, sobremaneira por
considerarmos que, nesse primeiro momento, o objetivo principal é a observação e o
respeito ao professor – que, mesmo sem nos conhecer, aceita dividir um espaço
pertencente a ele e aos seus alunos. É claro que, às vezes, torna-se uma tarefa difícil
a de permanecer sem interação frente às indagações propostas pelo docente aos
educandos; ou, ainda, quando a aula é tão deslumbrante que não participar
ativamente daquele momento é quase impossível. Por isso, é muito importante
mantermos a atenção ao nosso papel, de um modo que nos esquivemos de mergulhar
naquele “mar” de informações literais, mas que, ao invés disso, possamos traçar
nossa trajetória de experiência por um plano mais amplo: aquele que denote uma
busca de compreensão das reações deles e das suas interações com o conteúdo
proposto.
É válido lembrar, nesse contexto, do momento que percebemos a espontaneidade
com a qual o professor ensina – tudo ocorre tão fluido que discutir gramática, literatura
e áreas afins parece indissociável da figura do educador. Então corremos o risco de
nos perguntar se teremos essa mesma naturalidade quando formos nós os
personagens desse cenário. Porém, face a esse questionamento específico, a
professora que estou acompanhando compartilhou uma fala muito importante, a qual
vou repassar na integra: “você pode achar que faço isso com os pés nas costas, mas
saiba que estou em sala de aula há 21 anos. Não é só domínio de conteúdo, é
experiência também, mas no começo da minha carreira escolhi as séries iniciais e só
depois vim para o Ensino Médio, acredito que contribuiu bastante, se quiser pode ficar
com essa dica”.
Essas conversas e conselhos, apesar de não serem numerosos e muito pessoais,
fazem parte de uma relação que o estagiário pode desenvolver com o docente. É
importante destacar que eles estão sempre dispostos a compartilhar o amor que
sentem pela profissão que escolheram. Desse modo, com cuidado e respeito ao
espaço deles, vamos, pouco a pouco, retendo também suas sabedorias de vida.
Aqui, por fim, encerro o relato de hoje, do qual espero que tenham gostado. Lembro,
pois, que eu ainda estou na fase de observação, mas que em breve iniciarei as
regências. Por essa razão, sobre elas ainda não tenho muito a declarar e a refletir,
mas por enquanto sigo desvendando os desafios e as maravilhas desse encantador
processo de observação.
Até logo!!

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