Academia das Letras

O Reencontro – Joyce Santos

Foi numa tarde de setembro que ela se viu. Olhou no espelho sem acreditar que havia reencontrado sua identidade, se fez ao se desfazer, se contentou com a descoberta de sentir um alguém. Fazia tempo que não se olhava, mas quando os olhos lhe abriram as portas simplesmente sorriu e, ao mesmo tempo, gargalhou com força pelos longos tempos de hesitação.
Se Clarisse soubesse o quanto é especial, não de uma forma banal, mas extraordinariamente única. Se soubesse o quanto seus olhos grandes e castanhos, sua boca carnuda e rosada, seus cabelos longos e cacheados com cor de mel, sua pele lisa como seda e brilhante como o sol, sua espontaneidade capaz de ofuscar o próprio arco-íris, se soubesse como poderia transformar o mundo ao seu redor, talvez não se desfaria em frangalhos por metas inalcançáveis, não anularia suas próprias vontades para agradar, não exterminaria suas convicções em favor de enquadramentos. Quem sabe, se contentaria com a imensa exclusividade de viver o eu e apagaria o descaso do desconhecido.
Então ela voltou a si e a ser. Entendeu que não era impossível viver com suas impetuosas falhas e o erro só existiu na busca pelo acerto. Entendeu que sua índole não se mede em uma balança, mas no íntimo de seu coração e pensamento.
O reencontro aconteceu, foi numa tarde de setembro que ela se viu, como se fosse a primeira vez.

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